Trump, Cruz e Rubio: três narrativas, duas mentiras e uma verdade inconveniente


Certa vez um nazista disse que uma mentira, repetida várias vezes, viraria verdade.

Desde Novembro de 2015 estou acompanhando com afinco as eleições americanas e percebo que algumas narrativas, tão repetidas , agora já podem ser verificadas.

Trump: Mais brancos, vitória

Trump e seus fanáticos seguidores, muitos deles racistas,  sempre disseram que ele era o candidato mais forte, mesmo quando todas as pesquiss apontavam o contrário. Sempre disseram que Trump era o único capaz de cooptar eleitores brancos moradores do meio-oeste (Pennsylvania, Ohio, Michigan, Winsconsin, Iowa). Para tanto, Trump apelou para uma retórica extremamente nativistas, atacando mexicanos como estupradores, e mostrando vontade de diminuir a imigração ilegal e a LEGAL também. Tudo para agradar o eleitorado branco.

A tese de que os republicanos precisam de mais brancos é uma babaquice. Romney em 2012 conseguiu 60% do voto branco e perdeu por 5 milhões de votos. Em 1984, Reagan obteve 58% do voto branco e venceu em todos os estados. A conclusão é simples. A porcentagem de eleitores brancos diminuiu. Para vencer, Romney precisaria de 64% do voto branco, algo muito difícil com os jovens e mulheres brancas votando maciçamente nos democratas em virtude dos temas sociais (aborto, drogas, casamento gay).

Não é a toa que Trump perderá de lavada. Sua narrativa era uma mentira perceptível, e qualquer um que nela acreditou apenas enganou a si mesmo.

Cruz: Mais evangélicos, vitória

Não gosto do Cruz. Além de feio, de ter nascido no Canadá, de ter uma voz anasalada e trejeitos de televangelista, o antipático senador do Texas é um péssimo vendedor do conservadorismo para as próximas gerações. Mas algo eu não tenho dúvido. Cruz é o mais conservador político americano em atividade. Mesmo que ele fosse nomeado, e perdesse, mereceria o apoio de todo e qualquer conservador.

A campanha de Cruz era baseada numa teoria. As derrotas dos republicanos em 1996, 2008 e 2012 era em virtude da escolha de candidatos moderados como Dole, McCain e Romney. Por que eram moderados, milhões de evangélicos e conservadores ficaram em casa no dia da eleição. Mas se em 2016 os republicanos escolhessem um candidato conservador radical, milhões de crentes brotariam do chão e dariam a vitória aos republicanos no dia das urnas.

Vocês não sabem quantas vezes eu escutei gente no rádio americano dizendo isso.

Pra início de conversa, em 1964 os republicanos nomearam um radical, Barry Goldwater. Resultado: perderam de lavada.

Segundo, em 2008, de fato muitos evangélicos ficaram em casa e Obama venceu McCain, mas em 2012, eles compareceram em grande peso e mesmo assim o mórmon Romney perdeu para Obama. Em 2004, a campanha de Bush focou tudo o que podia em temas sociais como aborto e casamento gay, chegando a nunca antes vista taxa de 64% de comparecimento entre brancos evangélicos, como resultado venceu uma eleição apertada. Se feita a mesma estratégia em 2106, quando o número de branco e evangélicos diminuiu, o resultado seria uma derrota.

A campanha de Cruz era baseada em wishfull thinking.

Rubio: Mais latinos e jovens, vitória

Rubio era o único que tinha uma narrativa coerente. Com boa aparência, era o que se saia melhor entre o eleitorado feminino. Pode parecer bobo, mas mulheres tendem a votar em homens bonitos mais que homens feios. Com uma admirável babyface aos 45 anos, Rubio se comunicava bem entre os jovens, e o principal, fala espanhol fluentemente.

Romney obteve 27% entre os latinos. Para vencer, os republicanos precisariam de 40%, e isso Rubio poderia oferecer, além de aumentar a votação entre jovens. Mas o eleitorado das primárias, rancoroso por Rubio ser a favor de anistiar imigrantes ilegais, o puniu nas urnas e preferiu Trump.

Quando Rubio foi mal no debate em New Hampshire, e ficou claro que ele não seria o nomeado do partido, a conclusão óbvia é que o partido republicano perdera a eleição para Hillary Clinton. Rubio era o único que pareceu ouvir os resultados das autópsias da campanha derrotada de 2012: se o partido não cooptar, os latinos, grupo crescente demograficamente, não voltará a Casa Branca.

Rubio era o único que, conscientemente, tinha uma narrativa verdadeira, mas mesmo assim os republicanos escolheram a mentira.

 

 

 

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