ACIDBLACKNERD acertadamente prevê o resultado das eleições americanas de 2016


Ultimamente eu andei olhando para umas pesquisas eleitorais no Real Clear Politics e meio que acho que já dá pra cravar com 100% de certeza que a Hillary vai ganhar. Como acertei em dizer que Hillary seria a nomeada, agora seria ainda mais presunçoso e irei listar hoje, em junho, porque o Trump perderá em novembro.

 

1- Um partido em guerra

A última vez que o partido venceu uma eleição de forma acachapante foi em 1984, quando Ronald Reagan conquistou 49 dos 50 estados em disputa. Um dos motivos para tal façanha seriam os Reagan democrats, democratas que votavam num presidente republicano.

Reagan  montou uma coalizão de eleitores alicerçada em três pilares ( conservadorismo religioso, altos gastos militares e baixos impostos). A conta não fecha. É impossível manter cortes de impostos sustentando altíssimos gastos militares e sociais.

Como a direita perdeu a guerra cultural acabou tendo uma desvantagem enorme em relação aos democratas. De 1992 a 2012, o partido republicano só ganhou uma eleição no voto popular, em 2004.

2- Demografia

Peguemos a eleição de 2012. Romney teve 60% entre os brancos. Caso a proporção de brancos fosse a mesma de 1984 ele teria uma vitória maior que a de Reagan em 1984.

O problema é que o eleitorado não-branco nos EUA não parece abraçar a cultura de individualismo do partido republicano. Cerca de 90% dos negros são democratas e a maioria dos latinos também. Um dos motivos é o fato do partido democrata ter políticas historicamente melhores para os imigrantes. Italianos, irlandeses e judeus, grupos de estrangeiros marginalizados antigamente, até hoje votam mais nos democratas.

Ou seja, para vencer a Casa Branca o partido republicano teria de melhorar a sua imagem com o eleitorado hispânico, que é o que mais cresce e aquele que tenderá a decidir futuras eleições.

4- A parede azul

Como devemos saber, a eleição nos EUA é definida pelo colégio eleitoral. Quem vence um estado, mesmo que por um voto, leva todos os seus delegados e assim quem chega aos 270 dos 538 delegados é eleito. Pois bem, o isolamento cultural e demográfico criou uma parede azul que favorece os democratas.

Peguemos os estados que tradicionalmente votam nos democratas, onde em 2012 a margem de Obama não foi pequena e veremos que eles somam 257, restando vencer apenas 13 delegados nos demais estados em disputa para vencer.

A estratégia de Trump era aumentar ainda mais a vantagem entre os brancos, ganhando 65% dentre eles. Isto faria ele ganhar estado democratas como Pennsylvania, Michigan, Winsconsin e Ohio e dessa forma quebrar a parede azul. Depois explico porque ele não conseguiu.

3- O fator Obama

É muito difícil um partido se manter no poder nos EUA por três mandatos consecutivos. No caso de Hillary, um de seus trunfos foi contar com o apoio de Barack Hussein Obama. Por pior que tenha sido sua presidência ele se manteve com uma popularidade razoável e assim pôde reagrupar a mesma coalizão de eleitores que o elegeu em 2012(negros, latinos, jovens, mulheres solteiras, ateus, etc).

4- #NEVERTRUMP

Uma casa dividida não prospera.

Trump começou a perder a eleição no dia em que anunciou sua candidatura, ao chamar mexicanos que atravessam a fronteira de estupradores. A retórica anti-imigrante pode ter sido valiosa para mobilizar o eleitorado nativista nas primárias mas não foi esquecida na eleição geral. Um dos resultados disso foi o aumento do número de latinos que se cadastraram para votar em 2016, com medo que Trump pudesse vir a ser um desastre para eles.

Primeiro é preciso entender que Trump é um outsider, um forasteiro. Ele nunca concorreu a nada e nunca exerceu qualquer mandato. Sua nomeação só foi possível pois o partido republicano de se encontrava rachado e dividido entre suas muitas facções internas (religiosos, establishment, libertários, tea party, etc). Num ambiente com 17 candidatos, ele, que era famoso e tinha um nome reconhecido pôde largar na frente e segurar a vantagem até o final.

Como começou na frente, desde o início foi alvo de ataques e acabou respondendo de forma completamente inusitada e desproporcional. Ao atacar a mulher hispânica de Jeb Bush e a candidata Carly Fiorina pela sua aparência ele acabou alimentando contra si a percepção de que ele era um latinofóbico sexista que faria de tudo pra ganhar a eleição. É difícil ofender a mulher de um opositor, como também fez com Ted Cruz, e depois esperar que ele te apoie.

Trump abriu feridas e começou polêmicas desnecessárias que só o dificultaram a unir o partido. O pior é que creio que ele poderia ter vencido a nomeação sem fazer uso de tais métodos, mas o ego do candidate foi tão inchado que isso aconteceu repetidas vezes.

Por mais que tenha conquistado mais de 50% na primárias, Trump precisava de um partido unido, com 100% dos eleitores republicanos. O problema em não ter unido o partido não se reflete só no apoio dos candidato derrotados mas principalmente dos DONORS, os bilionários que financiam o partido. Ao ser tão divisivo muitos desses bilionários resolveram apostar seu dinheiro de outra forma, como fizeram os irmãos Koch.

5- Rejeição

Trump era o candidato com maior rejeição dentre todos os 17 republicanos. Pra se ter ideia, possuir 63% de rejeição entre o eleitorado feminino, como era o seu caso, significa que 63% das mulheres não vai votar em você de jeito nenhum, mas não significa que elas votaram ou que escolherão seu opositor.

Como Trump precisava de 65% do voto dos brancos, ele precisaria de 70% do voto dos homens brancos e 60% do voto das mulheres brancas. A primeira parte não era difícil mas as acusações de sexista e o fato de disputar a eleição contra uma mulher tornou a tarefa de conquistar as mulheres fora do alcance.

O fato de ter feito declarações inflamatórias contra latino fez com que chegasse a quase 80% de rejeição entre eles, o que o tornou inviável em estados com New Mexico, Nevada e Colorado e o tornou vulnerável no Arizona.

6- Oposição libertária

Gary Johnson, candidato libertário, não obteve uma expressiva votação, mas conseguiu tomar votos o suficiente do eleitorado mais jovem que poderia ter sido vital para que Trump vencesse alguns estados cuja margem de derrota foi pequena.

7- Oposição da mídia

A mesma mídia que tornou Trump famoso não o perdoou quando este chegou a perto da eleição. A cobertura negativa fez com que os “low information voters”, a maioria do eleitorado por sinal, eleitores que não acompanham política, tivessem uma visão distorcida da imagem de Trump. O rádio, um dos principais focos de mídia conservadora do país não defendeu Trump. Nomes como Mark Levin, Ben Shapiro, Steve Deace e Eric Erickson criaram uma oposição a direita ao candidato republicano. Até mesmo maior jornal conservador do país, o Wall Street Journal, recusou-se a apoiá-lo e muitos colunistas foram críticos até o fim. As maiores revistas conservadoras do país, a National Review e Weekly Standard, iniciou uma campanha contra Trump por enxergar nele um câncer para o conservadorismo.

 8- Polêmicas

Tudo tem limite. Se no início as declarações de Trump pareciam engraçadas, após confrontos físicos entre seus apoiadores e os de Hillary Clinton, boa parte da retórica provocadora de Trump perdeu a graça. O eleitorado esclarecido e escolarizado, dotado de 3 outras opções, preferiu não arriscar e manter o milionário longe da Casa Branca.

9- Economia

Os fundamentos da economia e a aprovação de Obama favorecem os democratas. Segundo um modelo da agência Moody´s, a chance de vitória democrata seria elevada. Agora aqui fica um conselho. Quer saber quem vai ganhar uma eleição? Veja as bolsas de apostas. Quando as pessoas dizem que um candidato ganhará eles se baseiam em emoções, porém quando tem que colocar dinheiro na decisão se tornam mais pragmáticas. Hillary liderou em todas as bolsas de apostas desde que Trump foi nomeado. Ou seja, quem entende sempre soube que ela era favorita.

10- Debates

Trump fez de tudo para abaixar o nível nos debates, numa clara tática desesperada de tentar desmoralizar Hillary pelos seus muitos crimes. Enquanto ele a atacava pessoalmente ela preferiu oferecer propostas e as discrepâncias entre os dois se tornaram visíveis. As muitas contradições e trocas de posições de Trump se tornaram um prato cheio para críticas de Hillary, que teve como rotulá-lo da forma que quis.

Conclusão

Hoje, em junho, Hillary lidera consistentemente Trump em praticamente todas as pesquisas nacionais. Se levarmos em consideração as pesquisas nos estados, aí a vantagem se mostra de verdade. Ela o lidera nos principais “swing states”.

É óbvio, há a uma possibilidade dela ser indiciada pelo FBI pelo seu uso ilegal de emails quando trabalhava como Secretária de Estado do EUA, porém duvido que isso a afetará.

Duas coisas precisam ser levadas em consideração. Trump já recebeu a nomeação enquanto Hillary ainda está disputando as primárias democratas com Bernie Sanders. Assim que ela conseguir a nomeação e unificar o partido ela tenderá a crescer mais. Por fim, Gary Johnson ainda não é conhecido nacionalmente, o que lhe dá uma considerável margem para comer um pedaço do eleitorado de Clinton e Trump.

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