O que aconteceria se Trump fosse presidente?


Toda ação provoca um reação oposta e de igual intensidade. Isaac Newton

Se existe alguém que desafia as leis de Newton, esse é Donald Trump. O milionário aparentemente fez tudo que poderia acabar com a campanha de qualquer outro político, mas ao que tudo indica, ele desafia a gravidade na política, e, de polêmica em polêmica, alça voos que o deixa cada vez mais perto da Casa Branca.

Mas e se Trump ser presidente? E se as leis de Newton finalmente voltarem a atuar sobre ele. É isso que iremos especular no texto de hoje.

Segundo relatórios da firma de consultoria Eurásia, acostumada em avaliar riscos dessa natureza, Trump é uma piada que deve ser levada a sério. A principal idiossincrasia que envolveria um governo Trump seria sua total imprevisibilidade, o que gera uma sensação de incerteza em todos os demais atores globais.

1- HOLOCAUSTO NUCLEAR

Trump quer implantar uma política externa chamada “America First”, ou seja, sem intervenções militares a não ser que os países paguem caro pelo sangue americano. Por exemplo, na visão trumpista, na Guerra do Iraque os EUA deveriam ter ficado com o petróleo iraquiano já que a invasão custou tão caro. Não preciso nem explicar as complicações diplomáticas que isso implicaria.

Como parte desse discurso isolacionista está a ideia de abandonar a caríssimas bases militares tem pelo mundo, deixando aliados desprotegidos. Como prêmio de consolação, Trump quer que Japão, Coreia do Sul e Arabia Saudita possam ter bombas atômicas, logo, podendo se virar sozinhos.

Toda é essa ideia de que os EUA gasta muito dinheiro com a construção de um complexo militar de proteção de aliados é tão infantil e esquerdista que já foi exaustivamente refutada. Se Trump acha que as bases são cara, tente mensurar quanto custaria não ter defesa alguma contra as ameaças dos inimigos da América?

Mas não se deixem enganar. Trump não irá abandonar as bases. Ele só quer chantagear os sauditas, japoneses e coreanos a pagar mais pela proteção que recebem. Provavelmente eles irão aceitar, ou num rompante de indignação, irão resolver partir para uma corrida armamentista – como parece ser o caso do Japão.

De qualquer forma, não existe vácuo de poder. Os inimigos do EUA iriam aproveitar qualquer eventual retirada para colocar as asinhas de fora.

Agora, o problema real de deixar alguns países terem bombas atômicas é que isso gera uma corrida nuclear, já que os países circum-vizinhos se sentiriam ameaçados e sentiriam uma necessidade natural de buscar um artefato atômico. A disseminação de ogivas uma hora ou outra poderia sair do controle e algum dia alguém poderia apertar o botão vermelho.

2- Crise Econômica

O dólar beneficia enormemente o  EUA por ser a moeda de reserva do mundo, o ativo vital para os bancos centrais e transações comerciais de todos os tipos em todo o mundo. O dólar continua a ser o porto mais seguro em qualquer tempestade, porque os investidores e outros governos têm a confiança de que é uma reserva de valor confiável.

Qualquer indício de que o presidente de que os EUA poderiam deliberadamente calotear sua dívida, por qualquer razão, infligiria um dano que não pode ser desfeito, e pressionaria os governos estrangeiros a olharem com mais urgência para uma alternativa.

Pois bem, após Trump dizer que amava dívida e que renegociaria a dívida americana, o que já é algo que alertou muita gente, ele ainda foi capaz de piorar tudo ao tentar consertar a afirmação inicial, dizendo que os EUA jamais quebraria porque poderia “imprimir dinheiro”. Todos sabem que a emissão descontrolada de moeda para cobrir gastos governamentais é a raíz de uma subida inflacionária. E sem estabilidade, o dólar passaria a não ser mais o porto seguro da economia mundial deixando o mercado desorganizado.

De qualquer forma, após anos de juros próximos a zero o FED tem dificuldades de subir os juros e muitos creem que uma nova crise vem por aí de qualquer jeito.

3- Terrorismo

Os analistas apontam que o efeito inicial de uma eleição de Trump seja um crescimento dos ataques terroristas. A lógica é simples. Se sentindo encurralados pela retórica agressiva de Trump e pela promessa de sua destruição, os grupos tentariam de tudo para causar dano o imagem dos Estados Unidos.

É óbvio que qualquer ataque durante um governo Trump teria uma resposta militar imediata se comparado com a frouxidão dos últimos anos de Obama. Trump parece ser resistente a mandar tropas mas não medirá esforços para liquidar com o ISIS via ataques aéreos, mesmo que isso cause consequências não intencionais.

4- Guerra tarifária

Trump promete entrar de cabeça no perigoso mundo do protecionismo, com tarifas de até 40%. Quer elevar tarifas para bens estrangeiros com o intuito de fortalecer a indústria americana e recuperar empregos perdidos nos últimos anos de globalização. O problema de tentar atacar o “globalismo” é que haverão consequências. Se os EUA aumentarem suas tarifas, outros países responderam aumentando suas tarifas para bens americanos, iniciando uma Trade War.

O efeito inicial de uma escalada protecionista é que os bens baratos chineses passariam a ser mais caros. Como resultado, as empresas americanas poderiam competir com o novo preço das mercadorias chinesas e assim ressuscitar a indústria americana. Qual o problema? Quem consome esses bens baratos vindos da china são os mais pobres que teriam seu poder de compra reduzido. A poupança das famílias tenderia a diminuir. Como o preço da mão-de-obra americana é alto as empresas que voltarem do estrangeiro para os EUA prefeririam mecanizar o máximo possível, não empregando o mesmo número de funcionários que empregavam na China.

5- Terceira Guerra Mundial

As chances de um conflito mundial continuariam ínfimas e com certeza não ocorreriam pela natureza de Trump, já que suas posições são diametralmente opostas a ideia de iniciar guerras desnecessárias, mas ele poderia ser obrigado a agir caso algum evento o force a defender os aliados americanos.

Não é novidade que Putin está namorando a anos os países do Leste Europeu, e estes temem cada vez mais uma invasão. Do outro lado do mundo, é a China que preocupa instalando uma presença militar no Mar do Sul. Com uma eventual saída americana de determinadas áreas de influência outras potências poderiam se sentir motivadas a aumentar suas presenças. Ao que tudo indica, o cenário global não parece nem de longe perto com nada dessa natureza, no entanto, uma crise financeira pode elevar as tensões entre as nações e gerar conflitos inesperados.

Conclusão

Sendo pragmático, duvido que Trump, se sobreviver até após eleição, faria algo muito irresponsável quando estivesse eleito. Ele teria que lidar com fatores complexos de governabilidade que retirariam dele boa parte de sua retórica agressiva. Ao ser deparado com o quadro real, como todos antes dele, acabaria tornando-se mais pragmático. O que me parece certo é que um governo Trump enfraqueceria os EUA na perspectiva diplomática uma vez que alienaria aliados e encorajaria inimigos.

 

 

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s