Morre Roberto Gómez Bolaños, o Chaves


Confesso que estou triste pra caramba.

Nenhuma figura impactou tanto a minha infância como a de Roberto Gómez Bolaños. É até difícil mensurar o quão importante seus programas foram na minha vida. Desde infante, praticamente assistia Chaves todos os dias no SBT. Algo interessante é que sempre que encontrei um mexicano o assunto inicial sempre era o mesmo: Chaves. Espantoso era sempre perceber que Chaves era muito mais cultuado aqui do que no México.

Quando mais velho, tive a ousadia de assistir os episódios sem a nossa gloriosa dublagem brasileira. Foi um erro. Não entendi quase nenhuma piada. Outra coisa que sempre me surpreendeu foi saber que ele escrevia todos os episódios de seus programas. E foi por ter essa capacidade de escrever feito uma máquina que ele ganhou a alcunha de Chespirito – uma versão espanhola de Shakespeare.

O humor de Bolaños era sempre doce e inocente, talvez por isso seus programas tenham feito tão sucesso por aqui, a ponto de serem incessantemente reprisados no SBT. É até estranho escrever isso, mas a notícia da morte de Bolaños ocorreu enquanto Chaves passava no SBT. Dada a quantidade de vezes que o SBT transmitia Chaves, a chance de isso acontecer não era nada improvável.

Se tem algo que descobri na minha vida é que você descobre o quão especial é uma pessoa pelo vazio que ela deixa quando vai embora, e o vazio que Bolaños deixa é imenso.

Roberto Gómez Bolaños praticamente moldou meu caráter e realmente não tenho palavras para descrever sua importância na minha vida. Seu personagem mais icônico, Chaves, foi abandonado pela mãe e acolhido por uma pessoa que depois faleceu e deixou o menino morando num barril. A ingenuidade do personagem só parece ser superada por sua bondade, muito por isso creio que todos nós nos identificamos com esse personagem, que tinha tudo para ser uma pessoa rancorosa mas que escolhia olhar para vida de forma esperançosa.

Depois que cresci descobri que Bolaños não era só admirável como gênio criativo mas também como pessoa. Em sua vida pessoal, um tema sempre chamou a atenção dele. Antes de nascer, a mãe de Bolaños foi aconselhada a abortá-lo por ter uma gravidez perigosa. Por amor, sua mãe não recusou o conselho dos médicos e assim o mundo ganhou um gênio.  Fico imaginando quantas mães aceitam esse tipo de conselho e quantos gênios esse mundo perde.

Diferente de seu personagem mais famoso, não foi abandonado por sua mãe. Bolaños sabia que, infelizmente, muitos não tiveram a oportunidade que ele teve – de nascer -, por isso sempre participou de movimentos contrários a legalização do aborto, o que na prática, transformaria a vida num privilégio de alguns.

Sem sombra de dúvidas, o mundo agora é um lugar pior sem ele.

6 comentários

  1. Triste, as vezes eu achava que o Bolaños seria eterno, mas eterno só os personagens dele… Esse sim era engraçado!! Episódios repetidos, mas mesmo assim, despertavam as mesmas risadas de sempre… A cena do Quico pequeno com um macacão vermelho dentro do berço.. kkkkkkkk só de lembrar da vontade de rir!!! Grande!! Pra sempre Chaves!!!

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  2. acid, a mãe dele não o abortou por amor e a mãe que quer abortar não tem amor pelo filho, que iria ser maltratado se nascesse.

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