Em eleição histórica, republicanos tomam o controle da Câmara e do Senado e americanos dão o veredito final acerca do fracassado governo Obama


Olá amigões!

Estou de ressaca. Só que dessa vez a ressaca é de felicidade. Desde as 10 horas de ontem fiquei assistindo a emocionante apuração da eleição de meio de mandato americano. Minha previsão era que os republicanos conseguissem 53 cadeiras. Até o momento os republicanos têm 52 cadeiras. A disputa no Alaska, assim como previ, vai demorar dias para ser finalizada, porém devemos chegar aos meus 53 no final. A disputa na Louisiana foi para o segundo turno, onde também os conservadores conseguirão a sua 54ª cadeira.

A grande surpresa da noite foi a disputa na Virgínia – onde mora Olavo de Carvalho, hehehe. Lá, as pesquisas a alguns dias apontavam 20 pontos de vantagem para o democrata. Com 95% das urnas apuradas até agora, o democrata possui apenas 0,5 pontos de vantagem sob o republicano, que segundo as regras do estado, pode pedir a recontagem dos votos. Na minha opinião, a Virgínia vai acabar ficando com os “demos”, mas esse resultado apertado mostra como a noite de ontem nos concedeu uma Onda Republicana que varreu todo o país desde que a apuração chegou no Leste do país e se estendeu até os estados do Oeste.

Confesso que passei a noite inteira com um sorriso estampado no rosto. Desde que “escorreguei para a direita” acompanhei várias eleições: Peru 2011, Estados Unidos 2012, Brasil 2014, em todas meu lado saiu perdedor. Por mais que nas eleições brasileiras os conservadores tenham saído maiores do que entraram, ficou faltando a presidência para soltarmos os fogos. Se no Brasil faltou alguma coisa, ontem nos Estados Unidos não faltou nada. Os conservadores saíram com 3 governadores a mais – o que ninguém esperava -, com 7 senadores a mais e com 12 deputados a mais. E essa vitória pode aumentar com o final da apuração.

O que ressalta aos nossos olhos foram as lições que foram aprendidas nessa eleição. No ano de 2006, o presidente Bush perdeu o controle da Câmara e do Senado. No ano de 2008, Obama foi eleito com uma vantagem de 10 milhões de votos, com mais de 60 senadores e uma maioria confortável na Câmara, em outras palavras, podia fazer o que queria com o país. A primeira e mais importante medida de Obama foi a reforma na Saúde – a Obamacare. Como a reforma se mostrou cara e impopular, acabou chamando para a briga os republicanos, que tomaram o controle da Câmara em 2010 e prejudicaram as intenções de Obama de avançar mais reformas.

As eleições de 2010 foram o sinal de que o governo Obama já começou “acabando”. A semente do fracasso obamista nasceu com o surgimento do Tea Party, ala radical do partido republicano, que naquele ano fez vencer vários candidatos nas primárias republicanas e que conquistou várias cadeiras na Câmara. Algo interessante é que os republicanos só não conseguiram tomar o Senado porque os candidatos do Tea Party acabaram se mostrando radicais demais para vencer eleições contra democratas em muitos estados.

Os republicanos aprenderam a lição de 2010. Para retomar o poder teriam que escolher candidatos mais moderados, com mais apelo entre o eleitorado feminino, negro, jovem e latino. Feito isto, de nada funcionou a tática democrata de dizer que os conservadores praticavam uma “war on women” por serem contra o aborto; outra tática mal sucedida foi tentar propagandear que os republicanos seriam favoráveis a assassinatos de negros para tentar comover o eleitorado afro-americano.

Bem, a demografia americana pode até ajudar os democratas – o país é cada vez menos branco -, mas nada os prejudica mais do que suas ações. Mesmo os republicanos sendo odiados no país, acabaram capitalizando em cima da impopularidade de um presidente fraco e omisso, que entrará para a história não por seus feitos mas simplesmente por causa da cor de sua pele.

Triste fim do queniano.

 

 

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