10 possíveis candidatos republicanos para a presidência dos Estados Unidos em 2016


O processo

Como todos sabem, as eleições americanas acontecem apenas em 2016 mas as primárias começam já no início de 2015. No emocionante processo de primárias os candidatos tentam arrecadar dinheiro desde cedo para poderem montar uma organização capaz de disputar disputas em vários estados, comprando horário em tv´s locais, contratando consultores e arregimentando voluntários. Como de costume, muitos nomes aparecem para disputar a primeira primária, que acontece no estado de Iowa. Lá, são feitos debates e posteriormente os republicanos elegem seu favorito. O candidato com maior votação recebe todos os delegados do estado, mesmo que não alcance mais de 50%. A segunda primária em New Hampshire, com eleitorado bem menos conservador. Depois aconcetecem as primárias na Carolina do Sul e no importante e caro estado da Flórida. Nesse ponto a maioria dos candidatos desiste e sobram apenas aqueles que ainda tem alguma chance matemática de obter os delegados necessários para a nomeação. Depois acontece a “Super-Terça”, que seria o acontecimento de primárias em vários estados. Depois da Super-Terça fica mais ou menos claro quem será o candidato ou sobram apenas dois deles. Os apoios nesse processo são fundamentais, tanto de políticos do partido como dos candidatos derrotados. Terminado o processo de nomeação o candidato vencedor discursa na Convenção do Partido, onde aceita a missão de disputar a presidência dos EUA.

Os “demos”

Bem, não deve haver muita emoção do lado dos democratas. Em todas as pesquisas Hillary Clinton, mulher do tarado ex-presidente Bill Clinton, aparece com mais de 60% entre os democratas. Seu perfil centrista e a popularidade de seu sócio marido são seus principais trunfos para obter a nomeação. Já sua fracassada experiência como Secretária de Estado no governo Obama é seu principal problema. Sua maior ameaça é a senadora de Massachussets Elizabeth Warren, mais uma liberal radical. É isso.

1- Mitt Romney – o Mórmon

Ele tentou em 2008, e perdeu. Ele tentou em 2012, e perdeu. Ele jura que não tentará em 2016, mas se o fizer as pesquisas indicam que ele é o nome mais capaz de vencer.  Passou toda a sua vida recuperando empresas que estavam indo mal. Quando os jogos olímpicos de Salt Lake City estava correndo o risco de serem cancelados, foi o mórmon Mitt Romney que foi chamado para salvar o evento. Filho do ex-governador do Michigan, graças a seus feitos privados foi eleito governador de Massachussets. Considerado um moderado, Romney, por vir de um estado liberal, foi obrigado a adotar posições liberais em diversos assuntos, posições estas que teve de mudar para concorrer nas primárias, o que lhe conferiu a alcunha de flip-flopper (pessoa que muda de posição conforme a situação). Pouco empático, Romney só conseguiu conquistar a empatia dos americanos depois que perdeu a eleição de 2012 com o lançamento do documentário Mitt, que conta a história de sua campanha presidencial. Aliás, muitas das previsões de Romney na campanha se confirmaram e 57% dos americanos em pesquisa indicam que se as eleições fossem hoje votariam nele contra Barack Obama. Pessoalmente, acho que o mórmon deveria tentar mais uma vez porém nem ele se mostra disposto a uma terceira tentativa.

2- Jeb Bush – o Outro Bush

Caramba! Outro Bush? Seu pai foi presidente de 1989 a 1992 e seu irmão de 2001 a 2008. Jeb, convertido ao catolicismo, competente ex-governador da Flórida, possui várias qualidades que o gabaritam para ser presidente PORÉM tem no seu sobrenome seu maior inimigo. Apesar de contar com o apoio de vários figurões do partido e de muitos doadores de campanha, Jeb defende reformas na educação e na imigração que o colocam na contramão da base do partido.

3- Scott Walker – O Street Fighter

Ninguém chega a lugar nenhum na vida sem fazer inimigos. Pois bem. O atual governador de Wisconsin mostrou que não tem medo de inimizades nos últimos anos. Em 2010, foi eleito prometendo criar empregos, lutar contra os sindicatos e tirar o estado do vermelho. Já no primeiro ano, conseguiu cumprir cada um dos seus objetivos, o que acabou provocando a ira dos sindicatos que organizaram um abaix0-assinado para depô-lo do cargo. Reunidas as assinaturas necessárias, em 2012 houve outra eleição para o governo de Winsconsin, procedimento  chamado de Recall. Outra vez eleito por uma margem muito pequena, Walker sobreviveu ao Recall e pode cumprir o resto do seu mandato fazendo as reformas que prometera em 2010. Em 2014, na sua campanha de reeleição, para não perder uma franja do eleitorado feminino acabou tendo que mudar sua posição no tema aborto, o que pode comprometer suas chances presidenciais. Walker se mostrou bom de briga, corajoso e resistente. Por mais que eu não creia no seu potencial de chegar a Casa Branca, é inegável que de bobo ele só tem a cara.

4- Rand Paul – o Libertário

Com certeza a figura mais interessante da política americana. Filho do ex-candidato a presidência em 1988, 2008 e 2012, Ron Paul, Rand possui um perfil aglutinador e já foi capaz de construir pontes entre o partido e seu maior problema: o fracasso em alcançar minorias. Com forte apelo entre os jovens, Rand talvez não concorra em 2016 porque terá que defender sua cadeira no senado de Kentucky nesse mesmo ano.

5- Rick Santorum – o Crente

Não, Rick Santorum não é crente, muito pelo contrário, é católico até os ossos. O ex-senador pela Pensilvânia de 1994 a 2006 perdeu sua última disputa ao senado por 20 pontos de diferença. Ainda assim, concorreu em 2012 nas primárias se colocando como opção conservadora para o partido republicano. Acabou sendo a principal pedra no sapato de Mitt Romney. Muito religioso, chamaria para a campanha temas como aborto e casamento gay – tudo que os republicanos não precisam nesse momento. Também sem organização nem dinheiro, em 2016 tem menos chances que 2012.

6- Mike Huckabee – o Pastor

Sim, Huckabee é pastor. Religioso e muito simpático, o velhinho e apresentador da Fox News sabe como ninguém dialogar com o eleitorado evangélico americano – que hoje é menos que 50%. Acredite. O ex-governador do Arkansas é um excelente debatedor e se decidir concorrer terá organização e recursos. Seu ponto fraco é que por ser virulentamente contrário ao casamento gay, coloca-se em confronto com os moderados do partido. Detalhe: Huckabee é apoiado por Chuck Norris. Basta.

7- Ted Cruz – o Evangelista

Não, Ted Cruz não é evangelista por profissão. Ele é até evangélico, mas o que faz do senador do Texas um evangelista é a forma com que vende as boas novas do conservadorismo. Tido por muitos como radical e amado pelo Tea Party, ala mais conservadora do partido, Cruz é um candidato popular e forte, capaz de incendiar os debates com sua mensagem otimista e renovadora. De certa maneira, sua retórica se assemelha um pouco da do venerado presidente Reagan. Cruz é filho de um cubano que fugiu da ilha-prisão dos irmãos Castro e certamente provocaria forte tensão em Cuba caso eleito. Seu principal ponto fraco é que parece que ele nasceu no Canadá, mas dane-se né? O Obama foi eleito e “nasceu no Quênia”.

8- Marco Rubio – o Sonho Americano

Filho de imigrantes cubanos, Marco Rubio simboliza o Sonho Americano. Seus país fugiram de uma ditadura comunista sanguinária para chegar com a roupa do corpo a Miami, onde trabalharam feito condenados em sub-empregos para criar seus filhos. Um deles, Marco, acabou estudando e tornou-se deputado. Uma pena que seus pais terem morrido pouco antes de poder vê-lo eleito para o senado da Flórida em 2010. Rubio é carismático, pragmático e consegue falar com as duas alas do partido (moderados e Tea party). Creio que Rubio não perderá a oportunidade de concorrer e tentar chamar para o partido boa parte do eleitorado hispânico que ele tanto precisa. Assim como Cruz, Rubio sofre com o problema da elegibilidade já que nenhum dos seus pais nasceu nos EUA.

9- John Kasich – o Conciliador

Popular governador do estado importantíssimo de Ohio, sem o qual é praticamente impossível um republicano se tornar presidente. Kasich começou seu mandato com uma postura mais combativa – assim como Scott Walker- porém percebeu que a chave para o seu sucesso seria se aproximar dos sindicatos e de eleitores democratas. Resultado: reeleito em 2014 e com fama de conciliador. Acho um candidato fraco.

10- Rick Perry – o Insistente

O ex-governador do Texas era o favorito para confrontar Mitt Romney  em 2012. Recordista em criação de empregos depois da recessão, com desempenhos péssimos em debates e gafes, Perry caiu fora do páreo ainda cedo. Como seu mandato no Texas acabou não sobra mais nada a fazer do que tentar mais uma vez a indicação do partido.

11- Dr. Ben Carlson – o Doutor

Ben Carlson deve concorrer e vou explicar o porquê. 1- É negro e o partido quer apelar a esse eleitorado. 2- É um candidato de fora da política. 3- É um neuro-cirurgião de vanguarda, brilhante e humilde que critica a Obamacare. 4- Tem uma oratória demolidora. 5- Tremendamente religioso (adventista).  Carlson não quer concorrer mas deve mudar de ideia.

12- Chris Christie – o Peso-Pesado

Christie é um político durão. Católico, descendente de italianos e sem papas na língua, Christie foi eleito no liberal estado de Nova Jersey prometendo tirar o estado do vermelho. Tirou. Sua popularidade é alta e de vez em quando é protagonista de alguma eleição. “Cale a boca!”, “Não é da sua conta!” e “Sente-se!” são expressões comumente usadas por ele quando confrontado por eleitores democratas. Seu perfil combativo lhe tornou inimigo número 1 dos professores do seu estado, que chegaram a se reunir para orar por sua morte. Nenhum pouco intimidado, não mediu esforços para cortar benefícios de professores para fechar as contas do Estado. Vê-lo nos debates será imperdível. Seu comportamento e sua obesidade são pontos negativos.

Outros nomes: Paul Ryan(deputado por Winsconsin) , Bobby Jindal (Governador da Louisiana) e etc.

 

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15 comentários

  1. Muito maneiro para quem pouco conhece o cenário da politica dos EUA. Esclarecedor, em algumas partes um pouco tendencioso, mas são bem poucas.

    Gostei pacas ;D

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