Cotas Raciais: Uma ode ao atraso


 

O sistema de cotas, seja para concursos públicos, universidades ou empresas, é uma insanidade completa, e qualquer pessoa com o mínimo de sensatez percebe isso, mais cedo ou mais tarde. É uma estultice por vários motivos, porém, vou citar apenas alguns deles (depois publico um texto definitivo refutando essa merda toda, para não sobrar nem pó), que já são mais que suficientes para liquidar por completo essa ignomínia fraudulenta, arbitrária, demagógica, discriminatória e prejudicial para um país verdadeiramente democrático e afeito à prosperidade.

Citemos as cotas universitárias. As que se fundamentam por critérios raciais. Essas são as mais fáceis de provar como fraudulentas. Se o interesse é favorecer as pessoas negras (ou outra etnia qualquer) que se encontram em condição de desvantagem com os brancos, como resolver a questão de que existem muitos brancos em condição de desvantagem em relação a muitos negros? Ou alguém é imbecil o suficiente para crer que todos os brancos do Brasil são mais ricos que todos os negros? O resultado seria que muitas pessoas que tiveram uma educação mais esmerada seriam beneficiadas só porque são mais pretas que outras, ainda que estas últimas tenham usufruído de uma educação de pior qualidade. Ou seja, puro racismo às avessas. Racismo e elitismo também, porque o indivíduo que já se encontra em posição de vantagem ainda recebe benefícios, enquanto que um outro indivíduo que se encontra em desvantagem, não recebe. Fim de papo. Nada mais é necessário para liquidar de vez o sistema de cotas por raça, apesar de eu ainda poder massacrá-lo com inúmeros outros argumentos tão irrefutáveis quanto esse.

Mas, sempre tem um sujeito para tentar argumentar algo do tipo ”Ah, mas os negros, mesmo os mais ricos, sofrem preconceito e o branco não sofre preconceito de jeito nenhum”. Argumento completamente estúpido e descabido. Primeiro, um branco pobre sofre tanto ou mais preconceito do que um negro que é de classe média/alta (a diferença é que um tem mais chances de sofrer o preconceito social e econômico, e o outro o preconceito racial). Percebam que os cotistas entram em contradição quando fazem essa declaração, pois são eles mesmos que defendem as cotas para que os negros ascendam socialmente e assim o preconceito acabe. Ora, se uma condição mais abastada não significa a eliminação do preconceito racial, então o próprio sistema de cotas, quando manifesta esse propósito, já é, por antecipação, ineficaz e injustificado. Portanto, teríamos que tentar resolver o problema por outros meios (abandonar o vitimismo afrocoitadista, por exemplo, já seria um excelente começo). Segundo (e mais importante e definitivo): indivíduos não podem ser punidos por causa de situações que eles não possuem responsabilidade. A sociedade é preconceituosa com os negros? Tá, ok. Mas o que um sujeito branco, que não pratica discriminação contra negros, mas que mesmo assim teve o seu ingresso na universidade prejudicado, tem a ver com isso? A responsabilidade, e as punições, pelos supostos crimes que muitos indivíduos supostamente cometem, devem ser estendidas, indiscriminadamente, para todos os demais? É isso mesmo? Culpar e punir quem não tem culpa? E vocês ainda têm a cara de pau de dizer que isso é justiça? E outra: como fica o caso dos negros que jamais sofreram por preconceito, como é o MEU CASO? Devo ser beneficiado com base em algo que jamais me prejudicou?

Eu poderia liquidar as cotas raciais de diversos outros modos. Porém, como eu disse, só os argumentos utilizados já são suficientes para escancarar o quanto essa instituição é uma fraude completa, além de injusta, contraditória, estúpida e arbitrária. Aliás, eu não vejo muitos albinos ocupando cargos de chefia e de destaque na sociedade. Quando eles terão cotas? Eles também sofrem preconceito pela cor da pele. E Quem sofre preconceito por vários outros motivos, não deve ter cotas? Que preconceito é esse? Vamos dar cotas para quem sofre qualquer tipo de preconceito disseminado. Por exemplo: anões. Quantos anões ocupam cargos de prestígio, são qualificados, frequentaram universidades? Cotas para os anões. E os usuários de crack? Sofrem muito preconceito. Cotas para eles também. E as prostitutas? Sofrem preconceito. Cotas universitárias para quem é puta também. E os ex-presidiários? Não podem estudar nas universidades? Eles sofrem muito preconceito. Cotas para os ex-presidiários também. E os gays? Cotas para os gays. E os homens e mulheres castos? Sofrem um puta preconceito. Cotas para eles também. Já destruímos por completo o mérito, a competência, o esforço, a capacidade, a eficiência e a produtividade nas nossas universidades ou será que eu posso continuar a sugerir mais cotas? Precisamos democratizar o ensino superior. E não se democratiza nada beneficiando só os negros. Isso é elitismo. Todos os grupos que sofrem preconceito e discriminação devem ser beneficiados (ainda que eles mesmos pratiquem preconceito uns com os outros e com outros grupos).

Muitas pessoas, depois que perceberam que o sistema de cotas raciais, sustentado pelo argumento da condição social inferior dos negros e pelo preconceito contra os mesmos, é uma insanidade fraudulenta e contraditória, passaram a defender apenas o sistema de cotas com base em renda (na verdade, com base em se o aluno estudou em escola particular ou pública), pois este seria mais democrático e coerente, haja vista que busca beneficiar qualquer pessoa que seja pobre e que não tenha tido a oportunidade de ter estudado em um colégio particular, mas que tenha recebido educação pública do estado. Acontece que o sistema de cotas com base em origem escolar é tão ou mais estulto, confuso e problemático do que o sistema racial. Eu posso, como em relação ao sistema racial, utilizar vários argumentos irrefutáveis para fuzilar essa insanidade, mas apenas um único argumento já é mais do que suficiente.

Existem vários colégios públicos que são muito melhores que outros colégios públicos, em todo o Brasil é assim. O nível de ensino entre as escolas públicas varia muito, e por vários motivos. Creio que esse fato não é motivo de controvérsia para ninguém. Por exemplo, na minha cidade existe uma escola de nome ”Coriolano Ferreira”, situada em um bairro pobre. E, existe outra escola, também pública, de nome ”Luís Eduardo Magalhães”, situada quase no centro da cidade. O nível de ensino, e de aprendizagem, do Colégio Luís Eduardo é consideravelmente melhor do que o do Coriolano Ferreira. Da mesma forma, entre as escolas particulares, também existe variação entre os níveis de ensino e de aproveitamento. Por exemplo, ainda na minha cidade, o melhor colégio da cidade, um dos melhores do Brasil, é o colégio ”Helyos” (a mensalidade do colégio Helyos, para o ensino médio, beira os 2 mil reais). E, entre as escolas particulares da cidade, existem outras muito mais modestas, em termos de aprendizagem e ensino, que o Helyos. É o caso do colégio ”Limite”, por exemplo.

O que acontece, é o seguinte. Em muitos casos, muitos mesmo, a diferença entre o nível de ensino e de aproveitamento entre escolas públicas e particulares é MENOR do que entre escolas públicas E TAMBÉM do que entre escolas particulares. Ou seja, existem alunos de certas escolas públicas que competem em igualdade de condições com alunos de outras escolas públicas, mesmo a diferença entre elas sendo tão ou mais significativa do que a diferença entre muitas escolas públicas e particulares. E, da mesma forma, alunos de escolas particulares são obrigados a competir em igual condição com outros milhares de alunos provenientes de outras escolas particulares muito mais sofisticadas e preparadas, com a diferença de que, no caso das escolas particulares, as diferenças entre elas chegam a ser, em muitos casos, muito mais gritantes do que as diferenças entre escolas públicas ou entre escolas públicas e particulares. E o que é que o sistema de cotas faz para remediar esses notórios desequilíbrios? Nada. Se limita a tentar remediar as diferenças entre escolas públicas e particulares, como se todas elas tivessem as mesmas diferenças, enquanto permite que diferenças mais significativas entre as escolas em geral passem incólumes.

Inclusive, os alunos mais ricos, de escolas particulares mais caras, possuem uma série de vantagens, dentro da escola e fora dela também (cursos, professores particulares, etc), em relação aos outros estudantes menos ricos e de escolas particulares mais modestas, de classe média ou média baixa. Porém, todos eles, mesmo assim, competem em igualdade de condições por uma vaga nas universidades. Entre os alunos das escolas públicas, existem muitos que fazem cursinhos preparatórios pagos, e outros que não fazem cursinho nenhum. Porém, todos eles competem em igualdade de condições por uma vaga nas universidades. Existem muitos que precisam conciliar o trabalho, durante o dia, com aulas no período noturno, e outros que se dedicam apenas aos estudos. Porém, todos eles competem em igualdade de condições por uma vaga nas universidades. Ou seja, não existe critério nesse sistema, uma confusão completa, uma ideia tão estapafúrdia quanto o sistema de cotas baseado em raça. Só essas incongruências absurdas e insolúveis já são motivos mais que suficientes para liquidar de vez essa insanidade que são as cotas com base em origem escolar. Teríamos que criar as cotas das cotas, as cotas das cotas das cotas e as cotas das cotas das cotas das cotas das cotas para tentar torná-lo mais justo e coerente, mas, no fim, causaríamos apenas mais confusão e problemas.

A lição é óbvia: é simplesmente impossível fazer com que pessoas tenham as mesmas facilidades para vencer na vida, independentemente se o objetivo é entrar numa universidade, entrar em algum grande time de futebol, ingressar em alguma banda de sucesso ou conseguir emprego em uma grande multinacional. SEMPRE vão existir pessoas que poderão conseguir tudo isso de forma mais fácil, e sempre vão existir pessoas que só poderão conseguir tudo isso com mais dificuldade. E o grau de dificuldade vai variar, assim como o grau de facilidade, de pessoa em pessoa, de acordo com condição financeira, estrutura familiar, localização geográfica, contatos pessoais, personalidade, talento, empenho, sorte, e uma série de outros fatores, e sempre que um governo tentar obstruir ou corrigir isso, vai gerar problemas maiores do que os que pretendia corrigir e ocasionar injustiças, contradições, arbitrariedades e atraso. A questão elementar é que, desde que as pessoas possam ter liberdade e segurança para poderem trabalhar, estudar, se esforçar, correr atrás, não há problema em existirem essas desigualdades, pois elas são naturais, sempre vão existir nas sociedades livres e são, principalmente, resultados das diferenças entre os seres humanos, que são criaturas naturalmente desiguais em capacidade, esforço e sorte, e essas desigualdades acarretam, e sempre irão acarretar, desigualdades de riqueza e de condição material entre as pessoas, que gerará, irreparavelmente, diferentes graus de oportunidade e de facilidade de ascensão.

A questão fundamental é compreender que cotas universitárias, além de injustas, contraditórias, arbitrárias, discriminadoras, descabidas e demagógicas, são prejudiciais para qualquer país democrático. O Brasil, por exemplo, tem universidades que estão entre as piores do mundo civilizado (não que o Brasil seja civilizado, mas…). Precisamos produzir, e renovar constantemente, a mão-de-obra mais especializada, inovadora e capaz que pudermos formar. Quanto mais pessoas competentes e especializadas trabalhando para o país, independentemente de serem mulheres ou homens, negros ou brancos, gays ou héteros, religiosos ou ateus, melhor para todos nós. Nível superior pode não significar grande coisa, seus paspalhos. O que interessa, para o padrão de vida de um indivíduo, é o grau de produtividade e de inovação da economia a qual ele pertence, como indivíduo produtivo. Um operário americano qualificado ganha mais do que uma infinidade de médicos cubanos, economistas brasileiros, advogados tailandeses, enfermeiros iranianos, engenheiros venezuelanos e professores norte-coreanos. Ele pode consumir muito mais produtos e serviços a preços muito mais acessíveis, apesar de não ter ”diproma”. Isso porque a riqueza e a grandeza dos americanos foram construídas em cima da mais pura e virtuosa meritocracia, sempre premiando os melhores e mais capazes.

E uma economia é mais inovadora e produtiva, beneficiando a todos os indivíduos que participam dela, seja de forma mais modesta, seja de forma mais destacada, quando formamos, em nossas universidades, os melhores engenheiros, os melhores professores, os melhores médicos, etc que estejam à nossa disposição. E na medida em que a economia se torna mais próspera (o que só acontece quando há liberdade econômica, incentivos para os investimentos, etc), as famílias vão ficando cada vez mais capazes de investirem em uma melhor formação escolar e acadêmica para os seus filhos, possibilitando-lhes oportunidades de crescimento profissional e de sucesso maiores do que eles mesmos puderam ter.

Fonte: Felipe Lustosa

Comento:

Qualquer um que me enviar qualquer texto de excelente qualidade contra essa aberração chamada de cotismo, ou contra outra qualquer, será publicado de bom grado aqui. 

Um comentário

  1. de fato é um tópico bem esclarecedor sobre os males por trás do cotismo, pena que a falta de interesse de muitos brasileiros por assuntos relevantes como esse acabe sendo ofuscado pela grande demanda de informações fúteis que outras mídias oferecem, creio que nossos políticos fizeram um bom trabalho colocando na cabeça de muitos que a ignorância pela política seja a forma mais eficaz de acharem para fazer toda sorte de corrupção possível, pois do outro lado tem um bando de gente que acha que cargo político é apenas mais um meio de subir na vida e dane-se o progresso do país.

    Curtir

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s