A cantora nigeriana Dencia chocou o público ao aparecer branca. O espanto aconteceu porque a moça, negra, não se transformou por causa de alguma doença de pele, como o vitiligo. Ela criou um creme chamado Whitenicious, cuja o slogan é “Dê adeus à pigmentação e manchas para sempre (“Say goodbye to pigmentation and spots forever”, na versão original).

De acordo com o site oficial do produto, o creme foi feito para ser usado em regiões como joelho, cotovelos, juntas dos dedos e manchas, que tendem a ficar mais escuros do que o restante da pele do corpo, em pessoas de pele negra. A questão é que Dencia usou o produto no corpo inteiro e acabou virando espelho para várias pessoas.

A polêmica é tão grande que o uso do creme apareceu até no discurso da atriz Lupita Nyong’o no evento Mulheres Negras em Hollywood, organizado pela revista “Essence”. Num trecho ela contava parte de uma carta que havia recebido de uma garota: “Querida Lupita, acho que você tem muita sorte por ter tanto sucesso em Hollywood mesmo sendo tão negra”. Eu estava a ponto de comprar o creme Whitenicious da Dencia para clarear minha pele, quando você apareceu no meu mundo e me salvou”. A vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “12 ano de escravidão”, aliás, foi muito criticada pelos defensores do creme, no Twitter oficial da marca.

Leia mais: http://extra.globo.com/mulher/beleza/cantora-nigeriana-cria-creme-para-clarear-pele-fica-branca-gera-polemica-12206608.html#ixzz308DbTdo9

 

Comento:

 

Esse tema é muito polêmico e por muitos motivos diferentes.

Para analisá-lo primeiro temos que mensurar que o esteriótipo de beleza ocidental não atinge somente aos negros. Na Índia produtos que claream a pele são comuns, pois a pele branca é tida como um diferencial e marca de pureza entre as mulheres. Na Coreia do Sul é cada vez mais normal a procura de mulheres à cirurgias plásticas que retiram dos olhos puxados as características orientais.

Em nenhum desses casos esse tema gerou grande polêmica ou controversa, no entanto quando essa onda chegou na África a coisa mudou, pois diferente dos asiáticos, os africanos viram no Whitenicius uma ameaça real.

A questão é: será que um ser humano de pele pigmentada tem o direito de despigmentar sua pele por motivos estéticos? Creio que sim, mesmo que muitos achem – com até um pouco de razão – que o Whitenicius poderia promover um esteriótipo de beleza racista, considero que cada um tem o direito de fazer o que bem entende com o seu corpo.

Se eu acho ridículo? Claro que sim – assim como estranho pessoas bizarras que enxem o corpo de piercing e tatuagens-, mas não acho que por isso tal ato deva ser proibido – no máximo inibido pela sociedade.

Quanto ao produto em si, não vejo nenhum mal nele. Muito pelo contrário, pode ser muito útil para quem tem vitiligo, cicatrizes ou manchas na pele.  Engraçado que a anos brancos gastam tempo e dinheiro para deixar a pele mais pigmentada e ninguém acha nada de errado, mas quando alguém resolve despigmentar surge um monte de chatos pra dizer que é um ato abominábel. Talvez esses idiotas é que precisem procurar um produto para clarear suas consciências.

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