Trancrevo abaixo um artigo do site de extrema esquerda 247 sobre a situação na Crimeia:

Neste domingo, nasce uma nova ordem mundial. Chega ao fim a chamada “Pax Americana”, período de hegemonia norte-americana que vem desde a Segundo Guerra Mundial, e emerge um mundo multipolar, com atores capaz de enfrentar os Estados Unidos – e vencer. É o que acontecerá neste domingo, na Crimeia, quando a população for às urnas para se manifestar no referendo que decidirá se o território da república que já se declarou independente – e não mais pertence à Ucrânia – será anexado ou não pela Rússia.

Ao que tudo indica, a resposta será sim, no que representará uma vitória histórica do presidente russo Vladimir Putin, diante dos Estados Unidos. Depois de apoiar um golpe de estado na Ucrânia durante os Jogos de Inverno de Sochi, que permitiu a ascensão de grupos fascistas ao poder em Kiev, os Estados Unidos se dedicaram a pressionar a Rússia em todas as instâncias internacionais e também a utilizar sua poderosa máquina de propaganda contra o Kremlin.

Vladimir Putin, no entanto, não cedeu. Afiançou seu apoio à população de maioria russa que vive na Crimeia e argumentou defender o direito de autodeterminação dos povos. Ontem, em Londres, num encontro que durou seis horas, o chanceler russo Sergei Lavrov também não titubeou diante das pressões do secretário de Estado norte-americano, John Kerry. E, neste sábado, a Rússia, com apoio da também gigante China, impediu a aprovação de uma resolução das Nações Unidas que tornaria ilegal o referendo na Crimeia.

Portanto, neste domingo devem acontecer os seguintes resultados: (1) a população da Crimeia aprovará sua anexação pela Rússia; (2) o regime de Kiev terá que administrar um país em crise e com território menor; (3) o Conselho de Segurança da ONU nada fará, em razão do veto da Rússia. Resumindo, Vladimir Putin venceu, Barack Obama perdeu.

Em seguida, virão supostas sanções contra a Rússia. Mas, neste jogo, os russos, que fornecem a maior parte da energia e do gás natural da Europa, podem mais do que seus adversários.

Comento:

Por mais que possa discordar da linha editorial deste site o articulista expressou com extrema exatidão minha percepção pelo acontecimento, que mostra como a fraqueza diplomática de Obama engrandece o nacionalismo do saudosista soviético Vladimir Putin. Vale lembrar que se essa Nova Ordem Mundial realmente chegou (e eu acredito que sim), não é a crise na Ucrânia que a deflaga e sim a Guerra Civil na Síria, onde Obama quis intervir para dar apoio aos radicais islâmicos e não conseguiu por pura pressão russa, interessada em manter no poder seu aliado Bashar Al Assad.

O fim do Império do Mal

Essa Nova Ordem Mundial deve ser entendida como um processo longo e complexo que marca o fim da soberania americana no período pós-Guerra Fria. Vale lembrar que os Estados Unidos só venceram os russos sem fazer uso de um só tiro simplesmente porque tinha “balas” o suficiente. Ronald Reagan, presidente americano nos anos 80, já entrou na Casa Branca determinado a por fim ao que ele chamava de “Império do Mal”(a URSS). Seu lema era “nós vencemos, eles perdem”, resumindo, não estava disposta a negociar nada com os russos que não levasse ao colapso deles mesmos.

Guerra nas Estrelas

 

Assim, Reagan aumentou os gastos militares dos EUA, sabendo que era de praxe o Kremlim gastar o mesmo montante financeiro no campo militar que os americanos. O problema era que a economia soviética já dava sinais de cansaço, enquanto que a americana gozava de um período de crescimento econômico graças as políticas econômicas de Reagan. Dessa forma, Reagan forçou os soviéticos a gastar uma parcela ainda maior do PIB deles com gastos militares num momento frágil, o que acabou por levá-los a um abismo. O Golpe de Misericórdia de Reagan foi quando ele anunciou o Programa Guerra nas Estrelas(um puro blefe que deu certo e encheu os russos de medo, uma vez que significava a instalação de satélites que bloqueavam a ação de mísseis nucleares). Se os russos já não estavam dando conta da situação, mal poderiam cogitar a possibilidade de elevar a Guerra Fria às estrelas. O Programa, que além de bizarro, não tinha nenhuma viabilidade, foi muito útil do ponto de vista diplomático.

Monopólio hegemônico

Com o final da Guerra Fria, os Estados Unidos se viram sem rivais no mundo. Poderiam pela primeira vez intervir em qualquer país do mundo sem ter que se preocupar com o arsenal nuclear russo. George Bush, o presidente americano da época, foi o primeiro a fazer uso de uma expressão que mais tarde ficaria famosa: Nova Ordem Mundial. Precisando alimentar sua indústria bélica Bush se negou a diminuir os gastos militares depois do fim da Guerra Fria. Pelo contrário, aumentou-os. Sua ideia era fazer uso do poder militar do Estados Unidos para IMPOR paz ao mundo e mediar conflitos. Durante seu curto governo os EUA se viram fazendo esse papel numa rápida ação no Panamá(onde prenderam o presidente narcotraficante Alberto Noriega), na África(na operação Falcão Negro em Perigo) e no Kwait(na Operação Tempestade no Deserto).

O início do fim

Apesar do sucesso total dessas empreitadas militares, o americano médio decidiu não reeleger o moderado George Bush e deu vez ao centrista e tarado Bill Clinton(esse sim, reduziu gastos militares e fez o que pôde para diminuir a ação dos EUA no mundo, só tendo exitado na Guerra do Kosovo). Quando George W Bush assume a Casa Branca sua agenda de campanha era composta de políticas totalmente domésticas, mas o atentado de 11 de setembro mudou o panorama por completo. Surgia a Doutrina Bush: “atacar antes de ser atacado”. Assim começaram as aventuras americanas no Afeganistão e no Iraque. Com a superioridade militar, os americanos tiveram uma fácil vitória na deposição dos governos dos páises, mas um fracasso total na ocupação dos territórios. A razão para essa derrota foi o cansaço da opinião pública em assistir os caixões americanos voltarem pra casa por causa de Guerras sem nenhum propósito para o americano comum.

Mais flexível

O fracasso no Iraque e a crise provocada pela bolha imobiliária provocaram uma consequência devastadora à América: BARACK HUSSEIN OBAMA, um candidato que desde o primeiro momento queria ver os Estados Unidos numa posição menor no campo internacional. Sua ideia seria passar a mediação dos conflitos internacionais para a ONU e demais organizações. Ainda no seu primeiro mandato, conversando com o então presidente russo Dimitri Medvedev, pediu para este informar a Vladimir Putin que teria “mais flexibilidade” num segundo mandato. Mas o que seria essa tal flexibilidade? Obama aumentou o déficit de seu país em 5 trilhões de dólares em 5 anos. Muitos destes títulos da dívida americana foram comprados – adivinha?- por Rússia e China, que se resolverem vender tudo de um dia pro outro levam a economia americana pro buraco. Daí o porquê da fraqueza de Obama. Os Estados Unidos nunca foram tão flexíveis.

 

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