PT PMDB 2

1. O senador do PSDB Aloysio Nunes, em entrevista ao Estado de SP (02), afirmou que “existe um mal-estar, os brasileiros querem mudança, mas esse mal-estar ainda não se materializou na forma de um projeto político preciso. Você tem um descontentamento que o mundo político ainda não conseguiu expressar; esse é o desafio de Aécio.”
            
2. É provável que em 2014 os problemas da economia brasileira se agravem. Mas para que os eleitores venham a identificar alternativas, é necessário que as informações fluam com as obstruções de costume. Como se sabe, a opinião pública se forma por ondas. A primeira onda é aquela dos consumidores das notícias nos meios de comunicação e redes sociais. A onda chega com atraso aos segmentos que menos consomem notícias, que são os de renda menor, especialmente aquelas que precisam ser pagas, como jornais e TV por assinatura.
            
3. Para que as informações fluam com as obstruções de costume, é necessário que não ocorram fortes ruídos que distraiam os focos do noticiário econômico e político, ou como prefere o senador, “o mal estar”,  por mais superficiais que sejam as informações recebidas.  
            
4. Mas é ano de Copa, é ano de futebol. Esse período começa logo depois do feriadão da Semana Santa, que inclui Tiradentes e, no Rio, São Jorge (23/04). A partir daí os ruídos serão enormes: convocações, delegações que chegam em distintos lugares do país e que se tornam a notícia com as chegadas e os treinamentos… O ruído irá deslocar o mal estar que o senador cita. Esse ciclo irá até 15 dias depois da Copa, em função do noticiário relativo, heróis e culpados, opiniões, discussões nas esquinas.
            
5. Imaginando que as manifestações populares voltem, teremos dois desdobramentos: os que as rejeitam porque querem foco na Copa; e os que as apoiam. Esses tenderão –pelo menos no início- a apostar no não-voto. Ou seja, nenhum deles pensarão nas alternativas. Se o Brasil for campeão, menos foco ainda nas alternativas até setembro. Se perder na segunda etapa para Holanda ou Espanha, crescerão as manifestações e a rejeição à Copa. Mas apontando para o não-voto, o desperdício e a corrupção dos governos pelo Brasil todo.
            
6. O mais provável disso tudo é que Dilma continuará com expressiva vantagem nos eleitores de menor renda e áreas populares. E que o “mal estar” não terá tempo de chegar a eles. Vale dizer: a dinâmica da campanha tende a ser pelo segundo turno.
            
7. E o PMDB? Num quadro desses, no ponto central do entretenimento e da distração das pessoas que será o mês de junho, das Convenções, Dilma tende a continuar como favorita e com significativa vantagem. Num quadro desses, pela própria natureza do PMDB, será ilusão imaginar que o PMDB não esteja colado nela. E os dissidentes cariocas serão a ponte de contato com a eventual vitória de outro candidato. Coisa para dezembro de 2014. São funcionais no DNA do PMDB.

Fonte: César Maia

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