Entenda a crise na Ucrânia


Menino observa soldado armado em fronteira da Ucrânia Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP

 

A onda de manifestações na Ucrânia teve início depois que o governo do presidente Viktor Yanukovich desistiu de assinar, em 21 de novembro de 2013, um acordo de livre-comércio e associação política com a União Europeia (UE), alegando que decidiu buscar relações comerciais mais próximas com a Rússia, seu principal aliado.

O conflito reflete uma divisão interna do país, que se tornou independente de Moscou com o colapso da União Soviética, em 1991. No leste e no sul do país, o russo ainda é o idioma mais usado diariamente, e também há maior dependência econômica da Rússia. No norte e no oeste, o idioma mais falado é o ucraniano, e essas regiões servem como base para a oposição – e é onde se concentraram os principais protestos, incluisive na capital, Kiev.

cronologia ucrania1/3 (Foto: 1)

Os três meses de protestos, que se tornaram violentos em fevereiro de 2014, culminaram, no dia 22, na destituição do contestado presidente pelo Parlamento e no agendamento de eleições antecipadas para 25 de maio.

No dia seguinte, uma ordem de prisão contra o presidente deposto foi emitida, responsabilizando-o por “assassinatos em massa de civis” promovidos na repressão aos protestos de rua.

Após dias desaparecido, Yanukovich apareceu na Rússia e acusou os mediadores ocidentais de traição. Ele afirmou que não reconhecia a legitimidade do novo governo interino e prometeu continuar lutando pelo país.

As autoridades ucranianas pediram sua extradição.

A deposição de Yanukovich intensificou as tensões separatistas na região da Crimeia, provocando uma crescente tensão militar com a Rússia, que levou o Senado a aprovar um pedido de envio de tropas feito pelo presidente Vladimir Putin.

O movimento russo levou o presidente dos EUA, Barack Obama, a pedir a Putin o recuo das tropas na Crimeia.

A Ucrânia convocou todas suas reservas militares para reagir a um possível ataque russo e afirmou que se trata de uma “declaração de guerra”.

A disputa Dias depois de anunciar a desistência do acordo com a UE, o governo ucraniano admitiu que tomou a decisão sob pressão de Moscou. A interferência dos russos, que teriam ameaçado cortar o fornecimento de gás e tomar medidas protecionistas contra acesso dos produtos ucranianos ao seu mercado, foi criticada pelo bloco europeu.

Milhares de ucranianos favoráveis à adesão à UE tomaram as ruas de Kiev para exigir que o presidente voltasse atrás na decisão e retomasse negociações com o bloco. Manifestantes tentaram romper o cordão policial em frente à sede do governo e atiraram pedras contra a polícia, que respondeu com golpes de cassetete e bombas de gás.

O presidente Yanukovich se recusou e disse que a decisão foi difícil, mas inevitável, visto que as regras europeias eram muito duras para a frágil economia ucraniana. Ele prometeu, porém, criar “uma sociedade de padrões europeus” e afirmou que políticas nesse caminho “têm sido e continuarão a ser consistentes”.

A partir daí, os protestos se intensificaram e ficaram mais violentos. Os grupos oposicionistas passaram a exigir a renúncia do presidente e do primeiro-ministro. Também decidiram criar um quartel-general da resistência nacional e organizar uma greve em todo o país. O primeiro-ministro Mykola Azarov renunciou em 28 de janeiro, mas isso não foi o suficiente para encerrar a crise.

Em 21 de janeiro, após uma escalada ainda mais forte da violência, um acordo entre assinado entre Yanukovich e os líderes da oposição determinou a realização de eleições presidenciais antecipadas no país e a volta à Constituição de 2004, que reduz os poderes presidenciais. O acordo também prevê a formação de um “governo de unidade”, em uma tentativa de solucionar a violenta crise política.

Mesmo com o acordo, no dia seguinte, o presidente deixou Kiev e foi para paradeiro desconhecido. Com sua ausência da capital, sua casa, escritório e outros prédios do governo foram tomados pela oposição.

O presidente do Parlamento, aliado de Yanukovich, renunciou. Um aliado da líder oposicionista presa Yulia Tymoshenko foi eleito para o cargo.

De seu paradeiro desconhecido, Yanukovich disse ter sido vítima de um “golpe de Estado”.

Após a mudança na câmara, os deputados votaram pela destituição de Yanukovich por abandono de seu cargo e marcaram eleições antecipadas para 25 de maio. O presidente recém-eleito do Parlamento, o opositor Oleksander Turchynov, assumiu o governo temporariamente, afirmando que o país estava pronto para conversar com a liderança da Rússia para melhorar as relações bilaterais, mas que a integração europeia era prioridade.

Uma ordem de prisão contra Yanukovich foi emitida. O Parlamento responsabilizou o presidente deposto pela morte de 100 manifestantes.

Em 27 de fevereiro, o Parlamento aprovou um governo de coalizão que vai governar até as eleições de maio, com o pró-europeu Arseny Yatseniuk como premiê interino.

Crimeia A destituição de Yanukovich aumentou a tensão na Crimeia, onde as manifestações pró-Rússia se intensificaram, com a invasão de prédios do governo e dois aeroportos. O governo ucraniano acusou a Rússia de enviar tropas à região.

A região aprovou um referendo para debater sua autonomia e elegeu um premiê pró-Rússia, Sergei Aksyonov, não reconhecido pelo governo central ucraniano.

Líderes da oposição

Um dos principais nomes da oposição é Vitali Klitschko, campeão de boxe que se transformou no líder de um movimento chamado Udar (soco). Ele planeja concorrer à presidência da Ucrânia, com o lema “um país moderno com padrões europeus”. após a deposição de Yanukovich, Klitschko assumiu sua candidatura para as eleições de maio de 2014.

Arseniy Yatsenyuk, líder do segundo maior partido ucraniano, chamado Batkivshchyna (Pátria), apontado premiê interino, também é um grande opositor. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, ex-primeira-ministra-presa acusada de abuso de poder e principal rival política do presidente Yanukovich.

Em 21 de fevereiro, o Parlamento aprovou emendas ao Código Criminal do país para abrir caminho para a libertação da líder oposicionista. No dia 22, após o Parlamento aprovar uma resolução para a soltura imediata de Tymoshenko, a opositora foi libertada.

Após sua soltura, ela seguiu para Kiev, onde foi até a Praça Independência, e em um discurso para os manifestantes, pediu que os protestos continuassem e disse que será candidata nas eleições de 25 de maio.

A libertação de Tymoshenko era pré-condição para a assinatura do acordo da União Europeia com a Ucrânia. Principal adversária do atual presidente na eleição de 2010, foi presa em 2011, condenada a sete anos por abuso de poder em um acordo sobre gás com a Rússia, em 2009.

Também compõem a oposição grupos ultranacionalistas, como o Svoboda (liberdade), liderado por Oleh Tyahnybok, o Bratstvo (Irmandade) e o Setor Direito.

Interesse russo

Para analistas, a decisão do governo de suspender a negociações pela entrada na UE se deve diretamente à forte pressão da Rússia. A Rússia adotou medidas como inspeções demoradas nas fronteiras e o banimento de doces ucranianos, além de ter ameaçado com várias outras medidas de impacto econômico.

A Ucrânia está em uma longa disputa com Moscou sobre o custo do gás russo. Além disso, no leste do país – onde ainda se fala russo – muitas empresas dependem das vendas para a Rússia. Yanukovich ainda tem uma grande base de apoio no leste da Ucrânia, onde ocorreram manifestações promovidas por seus aliados.

Após a deposição do presidente, a Rússia disse ter “graves dúvidas” sobre a legitimidade do novo governo na Ucrânia, e afirmou que o acordo de paz apoiado pelo Ocidente no país foi usado como fachada para um golpe.

Pouco depois, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o país não pode ser forçado a escolher entre manter laços próximos com a Rússia ou com o Ocidente. Já os EUA negaram que a questão seja resumida a uma disputa “Ocidente x Oriente”.

Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/12/entenda-os-protestos-na-ucrania.html

Comento:

A região da Crimeia, a qual a Rússia enviou 16 mil soldados, tem cerca de 60% de russos e é um território autônomo da Ucrânia. Esse evento promete testar os limites da diplomacia entre EUA e Rússia, uma vez Moscou teme perder sua influência sobre o território ucraniano devido a troca de governo motivada pelo início dos protestos. A tendência é que o novo governo se aproxime mais da União Europeia e EUA, o que pode gerar um conflito militar(talvez até a 3ª  Guerra Mundial).

Torço para que o fraquíssimo Obama pague a minha língua e resolva esse pepino sem entregar absolutamente nada pros russos.

Anúncios

2 comentários

  1. vivo no Brasil e ainda não tive a oportunidade de viajar para o exterior, então não sei ao certo oque seria “um país moderno com padrões europeus”, no nosso caso isso só se aplica a estádios de futebol.
    realmente gostei da postagem, e confesso que anseio por mais postagens que abordam sobre “10 motivos contra e a favor de alguma coisa”, pois faz um bom tempo que não é feita algo desse tipo.

    Curtir

Comente com polidez!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s