Especial: Falso projeto de cotas para evangélicos mobiliza concurseiros


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A ‘notícia’ não é nova, mas foi repetida à exaustão em sites e nas redes sociais nos últimos dias, gerando a reação imediata de milhares de internautas – quase sempre de indignação. Ela dava conta de que o deputado estadual capixaba Rogério Medina (PMDB) teria apresentado projeto de Lei sugerindo a reserva de 10% das vagas para evangélicos em concursos públicos realizados no estado. Ainda segundo a ‘reportagem’, o parlamentar em questão teria dado a seguinte justificativa para a proposta: “os evangélicos são vítimas de preconceito nos departamentos de recursos humanos das empresas privadas. Por sermos tementes à lei de Deus, e não nos envolvermos em maracutaias, os gestores sempre optam por católicos e até mesmo umbandistas na hora de contratar alguém”. Tal declaração teria gerado resposta contundente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, segundo a qual o projeto supostamente apresentado é “vergonhoso, preconceituoso e fruto do oportunismo barato de pastores neopentecostais”.
 
 
Tudo mentira. Tudo balela. Pegadinha. O ‘malandro’ em questão é o humorista capixaba Fábio Flores, que já inventou e espalhou várias notícias falsas pela web. Não existe tal projeto. Tampouco algum deputado chamado Rogério Medina na Assembleia Legislativa no Espírito Santo. Nem a CNBB perdeu tempo com isso. A falsa informação, que surgiu no dia 18 de novembro de 2013, em uma publicação no blog humorístico Bobagento, já foi desmentida por sites como o ‘e-farsas’ – especializado em desmascarar textos fictícios na internet. Apesar disso, na primeira semana de fevereiro, a reportagem inverídica voltou a ser reproduzida com força nas redes sociais. Causou revolta, indignação. E roubou alguns preciosos minutos de estudo de muitos concurseiros, que não resistiram à tentação de comentar o ‘não fato’.
 
É curioso notar a reação de alguns internautas à proposta imaginária do deputado inexistente. “Exijo vagas para ateus!”, reivindicou Ana Domingues, nos comentários do site N.E.D. (Não Entendo Direito), um dos muitos a reproduzir a informação. “Nesta visão torpe, espíritas deveriam vir primeiro, pois são minoria. Mundo insano”, bradou Joca Mattos. “Vai ser um tal de venda de certidão de batismo e declaração assinada pelo pastor atestando a atuação religiosa do candidato, que vai ter mais crente do que pessoas no Brasil”, previu Veronica Magalhães. “Eu sou evangélica, e homens como este me matam de vergonha! Não existe motivo para um evangélico ter cota para nada. Todos os povos merecem igualdade de oportunidades”, defendeu a advogada Kassya Samara, num dos comentários mais sérios. “Ahhh, era só o que faltava… rs”, divertiu-se Camila Andrade. “Juro que não ficaria surpreso se fosse real”, escreveu um desconfiado Victor Ugo Amarante.
 
Pois é, Victor. Por sorte, o Brasil é oficialmente um Estado laico, cuja legislação prevê a liberdade de crença, além de proteção e respeito às manifestações religiosas. Nos países que não são laicos – os chamados ‘estados teocráticos’ – a religião exerce o seu controle político na definição das ações dos governos. Algo que, pelo menos oficialmente, está fora de questão por aqui. Exatamente como bem lembraram outros internautas, que desconfiaram da ‘notícia’ justamente devido ao absurdo da proposta, que desrespeita a Constituição Federal e o princípio da isonomia na disputa pelas vagas em concursos. A religião nunca foi e nem será fator de seleção para a carreira pública. Tal projeto nunca foi apresentado. E mesmo que o fosse, dificilmente seria aprovado. Nem apelando para o Espírito Santo.
 
Fonte: Folha Dirigida
 
Comento:
 
Peço desculpas aos leitores por ter caído neste embuste e retifico meu erro. No entanto, minha opinião sobre cotas continua a mesma, seja para crentes, ateus, negros, brancos, gays, héteros ou quem quer que seja.

4 comentários

  1. ”Pois é, Victor. Por sorte, o Brasil é oficialmente um Estado laico, cuja legislação prevê a liberdade de crença, além de proteção e respeito às manifestações religiosas. Nos países que não são laicos – os chamados ‘estados teocráticos’ – a religião exerce o seu controle político na definição das ações dos governos. Algo que, pelo menos oficialmente, está fora de questão por aqui”

    Não! Parei nessa parte. A onde será que habita o imbecil reacionário do dono desse blog? Dizer que a religião não controla a política do nosso país, é assinar o atestado de burrice.

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