1 ano de Abenomics e o seu resultado na economia japonesa


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Há pouco mais de um ano, num domingo, milhares de corinthianos em Tóquio (este escriba entre eles) se preparavam para tomar um trem para Yokohama, ver seu time bater o Chelsea e conquistar o Mundial de Clubes. O outro campeão no Japão naquele dia foi Shinzo Abe, eleito novamente primeiro ministro do país com a promessa de tirar o país da estagnação que prevalece desde o estouro das bolhas de ações e imobiliária, em 1990. Na semana seguinte, o índice Nikkei 225 subiu 2%, começando uma impressionante escalada de (até agora) mais de 60%.

O conjunto de políticas batizado de “Abenomics” foi baseado sobretudo em uma política monetária extremamente relaxada, que visava desvalorizar o iene e reverter os déficits comerciais que o país começou a registrar em 2012, pela primeira vez desde o início dos anos 1980. Como bem dissse na época o grande historiador econômico de Berkeley Barry Eichengreen, todo país carrega em suas escolhas de política econômica algum peso de sua história, e a história de sucesso do Japão é frequentemente contada a partir da ideia de que exportar é bom. Outras preocupações, como a maior dívida pública do mundo e a (falta de) perspectiva demográfica, são secundárias.

O iene de fato de desvalorizou, mas a alta dos preços de commodities (sobretudo petróleo, que o Japão importa a um ritmo de quase 5 milhões de barris por dia, mais do que a produção diária do Irã) anulou qualquer efeito positivo no saldo comercial, e os déficits mensais continuam, em patamares até mais altos do que em 2012. O crescimento do PIB neste ano deve ser de 1,8% (estimativa mais recente da OECD), pouco acima do que o FMI projetava em outubro do ano passado (1,2%). A variação do principal índice de preços passou do território deflacionário para alta de cerca de 1% ao ano.

Ainda que a tentativa de virar o saldo comercial tenha falhado, a combinação de mais crescimento e mais inflação (ou seja, alta no PIB nominal) é tudo o que o país precisa: a perspectiva de maiores retornos deve atrair mais investimentos (ao custo de risco de apreciação do câmbio, se os poupadores locais resolverem repatriar parte do grande estoque de investimentos que mantêm fora do país), a dinâmica da dívida torna-se mais favorável (tanto para o tesouro nacional quanto para as empresas) e as “companhias zumbis” podem voltar a ter lucros que justifiquem o otimismo no mercado de ações.

Porém, tal sucesso embute alguns custos: as atuações do banco central devem, na margem, perder a eficiência (mais estímulos serão necessários para efeitos cada vez maiores), os preços de ativos podem, novamente, entrar em território de bolha (sobretudo se as empresas não entregarem os lucros precificados) e a inflação pode rapidamente passar a ser um problema. Além disso, há pouca perspectiva de resolução do maior problema do Japão no longo prazo: a demografia. A mediana da idade da população, 45 anos é a segunda maior do mundo (atrás apenas de Mônaco), e o ministério da saúde local prevê que a população encolherá a um ritmo de 1 milhão de habitantes por ano. Em 2060, espera-se que pouco menos de 90 milhões de pessoas estejam vivendo no país, quase 40 milhões a menos do que hoje. Daquelas, mais de 40% terão mais que 65 anos. Com o pouco do interesse do país em atrair imigração, é difícil imaginar quem vai sustentar o estado de bem-estar social e continuar servindo a dívida pública.

Em resumo, os primeiros resultados da “Abenomics” chamam atenção para o poder da política monetária no curto prazo, sobretudo nos preços de ativos (o mesmo pode ser dito do que tem feito o Fed). Isso, porém, apenas adia o confronto com a possibilidade de estagnação estrutural que gente como Larry Summers vêm mencionando. Um mundo com crescimento muito mais baixo do que se esperava e com grande pressão para redistribuição de riqueza e redução de desigualdade é uma novidade e um desafio aterrador para economistas e governantes nos próximos anos. O Japão tem sido exemplar nesse complicado equilíbrio, capaz de manter com grande coesão social um padrão de vida médio muito alto. Difícil saber se isso pode ser replicado no futuro e em distintos países.

 

 

Este artigo foi publicado originalmente na AE-News/Broadcast

 

Comento:

O Japão sofre com uma série de mazelas. Algumas delas são: 1- Envelhecimento da população; 2- Aumento da dívida pública; 3- Deflação; 4- Preconceito contra a mulher. Shinzo Abe sabe que não conseguirá sanar esses problemas, mas pelo visto, conseguirá amenizar suas consequências.

A Abenomics (inspirado no Reaganomis, política econômica de Ronald Reagan) se consiste em duas principais ações: Privatizar (o que diminui os gastos do governo) e imprimir trilhões de dólares para aquecer a economia. Geralmente imprimir tanto dinheiro é um ato irresponsável(gera inflação), porém no caso japonês isso se faz necessário devido a deflação que afeta o país a anos.

 

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