A família do adolescente gay Kaique Augusto dos Santos, de 17 anos, encontrado morto em 11 de janeiro sob o Viaduto Nove de Julho, no Centro de São Paulo, disse nesta terça-feira (21) estar convencida de que ele se matou. Os parentes contestavam a versão da polícia, que registrou o caso como suicídio, e cobravam a investigação da morte.

O advogado Ademar Gomes, que representa a mãe do jovem, disse que a família não irá mais contestar a versão oficial. Inicialmente, os parentes suspeitavam de um crime de homofobia porque o corpo estava sem os dentes e tinha marcas que pareciam de espancamento. “A polícia agiu corretamente por registrar o caso como suicídio, pois não tinha indícios de que era um homicídio. Registrou como suicídio e continuou investigando”, afirmou Gomes em entrevista nesta terça-feira.

Em um texto recente, Kaique escreve que tomaria “uma atitude, uma decisão” até segunda-feira (13). A seguir, é possível ler a frase: “Adeus às pessoas que amo.” Depois deste texto, ele escreveu pelo menos outros três no diário, sem fazer referência a uma despedida, segundo a polícia.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/familia-de-jovem-gay-diz-que-esta-convencida-sobre-suicidio.html

Comento:

Há mais ou menos uns 5 dias, um jovem gay pulou de um viaduto e se matou. Boa parte da população brasileira que assiste CSI se sentiu no conforto de duvidar da polícia, já que na boca do garoto faltavam muitos dentes e isso seria suficiente para provar que o mesmo foi torturado. Não sei a altura necessária para um sujeito cair e perder boa parte da dentição, mas conheço um cara que caiu ao tropeçar e perdeu os 2 dentes da frente. Suponho então que pular de um viaduto cause umestrago maior.

O mesmo jovem também demonstrara profunda amargura em suas últimas postagens do Facebook. Mas isso não interessa, o importante é angariar o maior número de mortes possível para rechear as estatísticas da homofobia. Não importa se foi uma bala perdida, não importa se foi um crime passional, não importa se foi um acerto de contas com traficantes, não importa nem mesmo se foi um típico caso de latrocínio. Todo gay morto vai para as páginas da homofobia.

Hoje pela manhã, a mãe do jovem que se matou encontrou uma carta de despedida em seu diário. Isso é suficiente para os que acusaram a polícia de omitir um homicídio e culpavam um assassino imaginário (provavelmente um religioso, claro) parem de bater na tecla da homofobia? Claro que não, só mudaram o culpado. Na ausência de um assassino, culpa-se então toda a sociedade brasileira que “oprimiu o rapaz”. Essa gente parece não reconhecer que um gay possa ter qualquer tipo de problema além dos causados pela “sexualidade reprimida”, como se um gay fosse gay antes de ser gente.

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