Quem chega em São Paulo pela primeira vez como eu não tem como não ficar surpreso com a quantidades de gírias toscas que são faladas por aqui. Como eu sou um típico carioca de sotaque carregado, trago sempre comigo o vocabulário das ruas do Rio, o que muitas vezes faz muita gente – especialmente mulheres- rirem pra caramba.

Família em primeiro lugar

Existem algumas palavras que são muito mais usadas no Rio do que em Sampa. Tranquilão, bolado, caô, bicho, sangue bom, parceiro, peixe, brother, mermão, cumpade, vacilo, zoação, fechamento, bonde são alguns exemplos. Aliás, isso demonstra como o Rio é uma cidade mais familiar. Você muitas vezes mal conhece a pessoa e já a chama de Brother ou mermão. Mas o melhor mesmo é quando alguém é chamado de cumpade. Aqui cabe um adendo. Sempre quando criança sonhava em ser igual ao Cumpade Washinton. O cara ganhava dinheiro cantando:”ORDINÁRIA”.

Expressões

Se algum dia você encontrar um carioca na rua e ele te dizer “Vamos marcar!”, esqueça! Ele não vai marcar nada. Se ele ao invés de dizer isso te dizer “Vamu vê”, ai você pode ter certeza de que ele não só não vai participar do esquema com não vai muito com a sua cara.

MEU?

Em São Paulo as pessoa parecem ser mais possessivas, por isso têm a mania de chamar todo mundo de MEU. Sim, inclusive os homens. No dia em que eu chamar um homem de meu é porque eu já virei veado a muito tempo mas os paulistas falam isso o tempo todo. Quem olha de longe pensa que é uma cidade que mora dentro do armário.

Exemplo de típica conversa paulista: 

Ô meu, isso para mim tá embaçado pra caramba!
Tradução carioca: Gente, isso para mim está difícil demais!

Oficina da vida

Certa vez perguntei a um policial qual era o shopping mais próximo. Ele respondeu: “Olha, tem o Shopping JK Iguatemi lá na frente, é shopping de boy”. Pensei que o boy da frase se referiria a officeboy e fui lá. Que arrependimento! Lá os preços eram absurdos, não dava pra comprar nada e pra fechar com chave de ouro um segurança gentilmente me pediu para que eu fosse embora. O boy não era sufixo de officeboy, mas sim de playboy. Lá no Rio quando o cara mora na Zona Sul ou na Barra da Tijuca, não trabalha e tem dinheiro pra caramba, chamamos o cara de playboy (ou playsson). O feminino de playboy é paty e o feminino de playsson é cocota.

O trabalho dignifica o homem, o trabalho

Assim que cheguei em São Paulo fui com um paranaense no Pacaembu. Lá um cara disse que tinha acabado de sair do trampo. Trampo?-pensei. Conjecturei que deveria ser algum tipo de bico. Depois descobri que o cara era gerente numa multinacional. Em São Paulo trampar significa trabalhar, coisa que, por sinal, os paulistas adoram.

Mano e mania

Aqui todo chama os outros de mano. Mas isso não me encomoda. Outro dia eu vi um cara falando que o quanto a mina dele era importante pra ele. Não, ele não era um empresário da indústria da mineração. Ele estava falando de uma mulher. Imaginei que devia ser uma mulher qualquer pelo fato dele chamar ela de mina. Era noiva dele.

Expressões estranhas

Os paulistas adoram falar alguma coisa e depois soltar um irônico SÓQUENÃO, que significa que a primeira coisa que foi dita não é verdade. Mas não é só. As vezes o cara fala uma coisa e depois solta um escrachado: “MAISOUMENOS”. Que nervoso! Resumindo, aqui em São Paulo você não pode acreditar em nada, pois do nada pode aparecer um SÓQUENÃO.

Um ou dois?

Aqui em São Paulo muitos paulistas acham que todo carioca é malandro e sagaz. Será que estão certos? No Rio quando você encontra com uma mulézinha conhecida você dá dois beijinhos em cada lado do rosto dela ao encontrá-la. Já aqui em São Paulo só se dá um beijo em dos lados do rosta da pessoa. Como resultado dessa divergência de costumes não uma mas várias vezes ao dar o segundo beijinho – que na minha cabeça me era de direito – a menina ficava estranhada, como se eu fosse algum tipo de tarado. Mas nem tudo é história triste. De vez em quando você “sem querer” acaba dando o segundo beijinho e acaba dando aquela resvalada na boca da menina. Depois você explica que lá no Rio são dois beijinhos. Os paulistas estão certos. Somos sagazes mesmo.

Anúncios