Diferenças entre Rio e São Paulo: Parte 3: Futebol e veadagem


Um torcedor abandonado

Serei sincero. Não sou a pessoa certa pra falar de futebol. Até porque eu sou o que de pior existe em relação a futebol: sou torcedor do Botafogo. Aqui em Sampa sempre que digo ser do Rio as pessoas já começam a pensar que sou flamenguista. Que vil preconceito! Infelizmente confirmado pela realidade, uma vez que a esmagadora maioria dos cariocas aqui são rubro-negros. Aliás, pra vocês verem como o Botafogo é pequeno. Já teve vezes que disse que torcia pro Botafogo e acharam que eu era torcedor do Botafogo de Ribeirão Preto.

Diversidade em jogo

Futebol é futebol em qualquer lugar do Brasil, mas no Rio ele é alçado ao status de religião, tendo no Maracanã o símbolo máximo do que é o maior templo da bola de todos os tempos. Pelo pouco que andei por aqui pude perceber que os cariocas falam bem mais de futebol. Lá no Rio futebol é o tema de início de qualquer conversa entre homens. Se o cara não gosta de futebol, podemos ter praticamente certeza de que ele é veado. Já aqui em São Paulo isso não é verdade. Tem muitos gays em Sampa que gostam de futebol. Prova disso é que existem até torcidas organizadas voltadas ao público LGBT aqui em São Paulo. O Corinthians tem a Gaivotas Fiéis e o São Paulo, bem, o São Paulo dizem que tem a Independente. Mas sem preconceitos. O que importa é eles serem felizes. Como já dizia meu amigo Thales: “Toda forma de prazer é válida”.

Bola dividida

Esses últimos dias existe uma disputa para decidir qual o time mais gay de São Paulo. No decorrer de quase uma década quem assumiu esse posto honroso -até que sem reclamar muito- foi o São Paulo, porém nos últimos anos o Corinthians entrou forte no páreo.

Quem é o verdadeiro bambi?

 

Faz um tempo que esse assunto tem ganhado espaço na grandimídia devido ao episódio icônico do beijo gay protagonizado pelo jogador Emerson Sheik e pela criação da torcida gay Gaivotas Fiéis. Porém, não se enganem. Esse assunto é mais antigo que parece. Vários foram os jogadores do Coringão que posaram pra revistas voltadas ao público gay e que têm fama de veados. Bem antes dos são paulinos ganharem o apelido de bambis quem era chamado por essa nobre alcunha era o lendário goleiro Ronaldo. Sim, ele mesmo. Depois disso passou o Vampeta pelo Parque São Jorge, que além de posar para revista ainda posava de embaixador do movimento. E por último, o melhor: Dinei. Certa vez um amigo meu disse que viu o Dinei passar de carro a noite por uma rua onde só tinha travecos. O resto da história eu não posso contar.

Quem é quem na balada?

No Rio é comum você encontrar jogadores na balada. Imagino que em Sampa não seja diferente. O que é notório é que a vida noturna do Rio degrada os jogadores muito mais que a paulista. Vide o Adriano e o famigerado goleiro Bruno. No Rio é comum os jogadores comemorarem os títulos em festas\orgias regadas a drogas, álcool e sexo. No caso do goleiro Bruno o resultado de uma dessas festinhas acabou num sítio.

Time das massas

Lá no Rio o time das prostitutas baratas, dos presidiários, da favelada e da bandidagem é o Flamengo. Aqui em Sampa o time das massas que tem essa fama é o Corinthians. Mas é óbvio, esses estigmas são baseados  no preconceito das pessoas. A torcida do Corinthians excede em muito esse público, o que é óbvio já que é a torcida mais amada. Mesmo assim me arrisco a dizer que o Corinthians é o time mais amado das prisões.

Times de comunidades étnicas

Lá no Rio a comunidade portuguesa é bastante presente. Quase todo mundo tem algum avô ou bisavô que nasceu em Portugal. Daí o nosso S falado com som de X. Logo, o time da comunidade portuguesa é o Vasco, que no passado era conhecido por ser sempre vice e hoje é conhecido por nem vice conseguir ser mais. Aqui em Sampa a maior comunidade é a italiana e o clube dessa galerinha é o Palmeiras. Acreditem, quase todo o palmerense que conheci tem um sobrenome italiano, o que comprova a tese.

Times elitizados

Lá no Rio o time dazeliti é o Fluminense, que estranhamente, assim como o São Paulo, também é conhecido por ser o time da diversidade. Só que no caso do Fluminense existe uma história por trás. No passado, o clube não admitia negros(o Vasco foi o primeiro e dizem que o Flamengo seria uma discidência do Fluminense criada para abrigar jogadores de cor), por isso algum idiota teve a “brilhante” ideia de jogar pó-de-arroz nos jogadores negros para que, vistos de longe, parecessem brancos. Eu teria vergonha de uma história dessas mas os tricolores se orgulham da alcunha pó-de-arroz, que com o passar do tempo foi usada pelas torcidas rivais para mostrar que os tricolores gostavam de se maquiar.

Paulista é adjunto

Um outro ponto interessante é qual seria o genuíno tricolor: o tricolor das Laranjeiras ou o tricolor paulista. Serei bairrista. Apesar de ter bem menos títulos e tradição, o tricolor das Laranjeiras(bairro onde morava) é o mais velho e por isso merece ser respeitado como tal. A prova cabal é hino de cada um dos times. No do Fluminense o hino se refere ao clube apenas por “tricolor” enquanto que o hino do São Paulo já confessa a sua pequenez com o “Salve o tricolor paulista”. Ora bolas! Se tem que explicar que é paulista é porque sabem que o verdadeiro tricolor não precisa de adjetivo ou de predicado para ser reconhecido.

Time dos velhos

É uma injustiça comparar o Santos com o Botafogo, mas eu não resisto. Ambos são a 4ª torcida de Sampa e Rio, são alvinegros e fizeram sucesso no tempo que minha vó ainda arrancava assovios.

Ponto Final

Eu ia terminar o texto no último parágrafo, mas acabei de lembrar que o Ronaldo, ídolo do Corinthians, foi pego com não um mas 3 travecos. Então aqui fica o merecido adendo. O São Paulo durante anos a casa do jogador Bycharlysson, que, diga-se de passagem, pode nunca ter sido visto ao lado de uma mulher mas nunca foi pego com NENHUM traveco.

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4 comentários

  1. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
    esse cara parece saber bem oque está dizendo, mas em se tratando de time não vou muito na onda de modinhas e sim por times que conquistem a minha admiração, e até agora torço apenas por dois, entre os da minha terra natal do estado do Pará, torço para o Paysandu, já fora daqui só mesmo o Palmeiras, nenhum deles está na topo das 3 maiores torcidas do Brasil, mas como disse antes, são meus times do coração, ganhando ou perdendo serei sempre fiel a eles, pois ficar virando a casaca ao ver seus times passando por momentos difíceis é coisa de torcedor de quinta categoria.

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  2. O CARA FALOU A VDD! RSRS EU SO GOSTARIA DE SABER DLE, JA Q JA TEVE NAS DUAS CIDADES RIO E SÃO PAULO, SE ELE CONSEGUE AVALIAR O GRAU D FANATISMO DAS TORCIDAS DO FLAMENGO E DE CORINTHIAS

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    • A torcida do Flamengo é maior,espalhada em todas as camadas da sociedade, sendo predominante nas camadas mais pobres. No Rio as pessoas gostam muito mais de futebol e falam muito mais sobre isso, principalmente em bares. Numa cidade com 4 times, Flamengo tem mais de 50% da torcida.

      Proporcionalmente, a torcida do Corinthians é mais apaixonada. Diferente do rio, em São Paulo se nota que o corintiano é muito mais apaixonado que os tricolores e palmeirenses. Mesmo nos bairros pobres, a maioria corintiana não é tão hegemonica, sendo que numa cidade com 3 times, tem cerca de 40% da torcida.

      Levando em conta que São Paulo tem mais do dobro da população do Rio, e que no Rio os preços dos estadios baniram a massa de geraldinos apaixonados que cultuava no Maracanã, digo que é o Corinthians o mais amado.

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