EUA fornecem armamentos para soldados sírios que matam cristãos


Arquitetura de Revoluções

Em 2009 Barack Obama assumiu a presidência e prometeu que retiraria as tropas americanas do Afeganistão e do Iraque. No mesmo ano recebeu o Premio Nobel da Paz “pelos seus extraordinários esforços para reforçar o papel da diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. A CIA continuou fornecendo armas e treinamento para líderes que defendessem seus interesses na região. Sempre existiram informações de que os EUA atuaram como os maiores “arquitetos” das mudanças revolucionárias iniciadas em dezembro de 2010, na chamada Primavera Árabe. O movimento influenciou radicalmente a vida em países como Tunísia, Egito, Algéria, Líbia e Iêmen.

Síria

Em 2011, foi a vez da Síria testemunhar o início de uma guerra que visava derrubar o governo de Bashar Al-Assad. Apoiado pela Rússia, o exército sírio trava uma batalha sangrenta contra as forças rebeldes do Exército Livre da Síria, fortemente influenciado por organizações como a Al Qaeda. De modo geral, eles são chamados pela imprensa de “rebeldes sírios”, mas na verdade são uma frente que reúne diversos grupos jihadistas, muitos deles vindos de outros países.

Armando radicais

Desde que o presidente Obama começou a falar em intervenção americana em solo sírio, jornais como o Wall Street Journal tem denunciado que agentes da CIA estão armando os rebeldes que combatem o regime de Al-Saad. Os americanos oferecem, via Jordânia, armamento, munições, equipamento militar e de comunicação, além de veículos e kits médicos.

Família Assada

Assad herdou o poder de seu pai, Hafez al-Assad. Embora tenha estudado na antiga URSS, Hafez só se tornou presidente quando foi apoiado pelos EUA no golpe de Estado em 1971. Só saiu do poder quando morreu, em 2000. É na trajetória política de Hafez que se encontram muitas das respostas. Ele ingressou no Partido Baath em 1946 e foi nomeado chefe das Forças Aéreas em 1964. Enquanto ocupava este cargo, a Síria sofreu uma grande derrota, durante a Guerra dos Seis Dias, que uniu em 1967, Egito, Jordânia e Síria contra o vizinho “incômodo”, Israel. Mas no terceiro dia de luta, a Síria caiu sob o domínio de Israel e no final perdendo quase toda sua força aérea e inclusive parte de seu território (as Colinas de Golan).

Consequências

A guerra enfraqueceu o poder do governo da Síria e abalou a economia, o que facilitou o golpe liderado por Hafez quatro anos depois. Buscando vingança, aliou-se com o Egito em 1973, para uma nova ofensiva militar contra Israel, na chamada Guerra do Yom Kippur, na tentativa de recuperar o território perdido. Foi novamente derrotado e suas relações com os EUA, aliados de Israel, foram seriamente abaladas. Como consequência, aproximou a política de seu governo à Rússia, que permanece até hoje sendo o maior aliado da Síria.

Amigos russos

Não é por acaso. A Rússia é hoje o segundo maior exportador de armas do mundo, atrás apenas dos EUA. Um de seus maiores clientes é a Síria, que antes do início da guerra civil, em 2011, comprou baterias antiaéreas Buk-M2E, sistemas de defesa antiaérea Pansir-S1, helicópteros de ataque e caças Mig-29, além de um número não revelado de armas e munição.

Armas químicas

Como tem sido amplamente divulgado nos últimos meses, a Síria tem o terceiro maior arsenal de armas químicas do mundo (estimado em 1.000 toneladas de agentes químicos e biológicos). Só perde para os EUA e a Rússia. E foi justamente o uso de armas químicas pelo presidente Assad, matando mais de 1.000 adultos e cerca de 400 crianças. Fato que gerou comoção mundial e ofereceu ao governo americano a melhor justificativa de invasão.

Ameaça
A primeira resposta do governo sírio sobre essa possibilidade, no final de agosto, foi “Se a Síria for atacada, Israel pegará fogo, e nosso ataque envolverá nossos vizinhos [Irã, Turquia, Egito, Jordânia]. Os cidadãos americanos e os judeus de todo mundo sofrerão imediata retaliação”. Imediatamente, o Irã fez eco. “Se os EUA atacarem a Síria, as chamas da ira dos revolucionários se voltarão para o regime sionista”, assegurou Haqiqatpur Mansur, influente membro do parlamento iraniano. Estaria aceso o estopim na instável situação política do Oriente Médio, com consequências em todo o mundo.

Al Qaeda
Contudo, a opinião pública nos EUA é amplamente desfavorável a mais uma guerra. Se os EUA decidirem invadir, é inevitável que os soldados americanos terão de lutar ao lado dos soldados Exército Livre da Síria, liderados pela Al-Qaeda. Essa possibilidade teve forte rejeição nos EUA, gerando inclusive uma campanha de soldados que se negaram publicamente a fazê-lo. Entre as denúncias levantadas por jornais como o Washington Times é que o Exército Livre na verdade é a junção de vários grupos de extremistas muçulmanos.

Perseguição
Ao mesmo tempo em que lutam conta o exército de Bashar, tem invadido, queimado casas e igrejas de cristãos, além de decapitar publicamente todos os que não se converterem ao Islã.

A denúncia mais recente é que eles estão usando “crianças-soldados”, que vão para a frente de batalha a partir dos 14 anos de idade.

A divulgação de imagens de cristãos sendo executados pelos rebeldes financiados com dinheiro americano tomos outra proporção, noticiou o Wall Street Journal esta semana. Uma das questões levantadas é como o dinheiro de um país cuja maioria da população se diz cristã, incluindo o presidente Obama, pode ser usado para manter extremistas muçulmanos que estão prometendo matar todos os cristãos sírios que não se converterem ao Islã?

Plano B
Enquanto as superpotências decidiram que a Síria não será invadida se entregar ou destruir suas armas químicas, a Unidade 450 trabalha incessantemente para espalhar o arsenal de armas “sujas” pelo país. Segundo agências de inteligência da Europa, elas estão sendo levadas para cerca de 50 localidades diferentes. O objetivo é impedir que sejam destruídas todas de uma vez por ataques americanos. Assim, poderiam ser usadas contra os soldados invasores e contra Israel. Seria o “plano B” de Assad e seu exército.

Rota
Não há inocentes em uma guerra, tanto o apoio da Rússia quanto dos EUA tem objetivos econômicos e políticos. Embora não seja um grande produtor de petróleo, a Síria faz parte da Liga Árabe, que controla a maior parte do petróleo produzido no planeta. Além disso, está situada perto de importantes oleodutos e rotas marítimas usadas para transportar uma fatia importante do petróleo mundial.

Com informações de BBC, Washington Times, Jerusalém Post Wikipedia e Story Leak.

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