Entenda o barraco

Um amigo me indicou um vídeo sobre casamento gay de uma vlogueira chamada Julia. Eu até já acompanhava o canal dela, mas confesso que fiquei meio indignado com o despreparo dela para tentar responder a um vídeo de outra pessoa. O vídeo dela foi uma resposta ao vídeo Por que sou contra o casamento gay?, do vlogueiro Yago. De um lado tinha o vídeo do Yago, que mesmo defendendo algo que eu não concordo, foi intelectualmente responsável, enquanto que a Julie, no afâ de defender os “direitos” alheios acabou falando umas besteiras.

1-Gays sempre puderam casar

Um dos argumentos usados por ela é completamente furado: o que gays não podem casar, logo, estão sendo discriminados uma vez que não podem gozar de um direito que todos gozamos. Isso é uma falácia. Gays sempre puderam casar. Sim. O porém é que gays sempre puderam se casar com pessoas do sexo oposto, pois a definição de casamento dizia que esse era um ato que unia pessoas de sexos diferentes. Logo, não há discriminação. Se um gay ou hétero quer casar, tem que ser com alguém do sexo oposto. Isso só muda quando a definição de casamento for alterada.

2-Casamento não discrimina ninguém pela orientação sexual

A prova cabal que o Estado não discrimina ninguém pelo sexo é que o oficial do cartório não pergunta aos noivos a orientação sexual deles. Dessa forma, um homossexual pode casar com uma homossexual e um homossexual pode casar com um heterossexual. Para que tal ato ocorra só é necessário duas pessoas não-parentes, adultas e de sexos opostos.

3- Casamento gay não-gay

Um dos pontos que nem o Yago nem a Julie abordaram foi que, introduzido o casamento gay, faz-se necessário a discriminação na hora do casamento. Explico. Imaginemos que dois homens podem casar um com o outro. O que impede que um homem case com o amigo apenas para receber sua pensão ou outros benefícios do governo? Para mitigar esse fenômeno o Estado iria ter que permitir que gays só possam casar com gays.

4-Casamento poligâmico

A Julie deu várias bolas fora, mas essa foi a principal. Ela disse que a nossa noção de casamento monogâmico é fruto da nossa cultura cristã, mas que em outos povos, como mórmons e mulçumanos, as pessoas poderiam casar-se com mais de uma pessoa. QUE BESTEIRA! Explico.

No mundo mulçumano o homen tem UM casamento para cada uma de suas esposas. Dessa forma, as esposas não são casadas entre si, somente com o marido. Prova disso é que o Islã estipula que cada mulher deve ter o seu próprio dia, não permitindo que todas vão para a cama ao mesmo tempo com o marido.

5-Cultura

Segundo ela,  tudo que tem justificativa cultural deve ter validade legal. Sendo assim, Na índia um menino de 5 anos pode seri obrigada a casar com uma mulher de 50. É cultural. Aqui uma criança é considerada incapaz pra isso. Lá por uma qestão cultural não. Logo, o argumento dela  dela se torna falho.

O Estado tem sim o direito de preservar a família numa determinada forma, mesmo que isso vá de encontro com a cultura de um povo. Prova disso é que bigamia não é permitida, não importando se há pessoas com religião ou cultura que promove essa prática.

6- Parando por aqui

O motivo pelo qual o casamento é entre um homem e uma mulher não é devido a cultura ou religião, mas devido à biologia. Caso o casamento gay seja instituído, certamente não veremos nenhuma mazela ao curto prazo; porém, é certo que outros movimentos também usarão os argumentos utilizados pelos homossexuais (e pela Julie) para avançar suas causas.

A moral (noção tão vilanizada hoje) também não pode ser desprezada. Se duas pessoas adultas e sádias podem se casar, independente do sexo – como pensa a Julie- , o que impede um irmão de casar com sua irmã, ou um filho de casar com sua mãe?

***

Leia mais:

Casamento Gay, 10 motivos para ser contra, 10 motivos para ser a favor

Obs: Pessoalmente, sou favorável ao reconhecimento por parte do Estado da união homossexual. Respeito quem pensa diferente, mas não acho justo que uma pessoa que vive a vida inteira com a outra não tenha direito a uma série de benefícios. Ademais, reconhecer a união não significa promovê-la.

Anúncios