Programa Na Moral discute religião – com participação de padre, ateu, babalorixá e Silas Malafaia


Acabei de assistir o programa Na Moral, da Rede Globo, que abordou o tema religião. Bem, como todos sabemos, todos temos liberdade para crermos ou não cremos. Sendo assim, esse é um tema polêmico e tenho a mais absoluta certeza de que você que está lendo não vai concordar com as minhas posições. Mesmo assim, vamos lá.

Crescimento evangélico (concordei em parte com o ateu)

Quando perguntado sobre o crescimento evangélico, o ateu apontou que o principal motivo seria a Teologia da Prosperidade, que promete riqueza material aos fiéis ainda nessa vida. Ao meu ver, isso é correto, mas simplista demais. O crescimento evangélico se dá devido ao forte proselitismo de seus sectos; ao uso desenfreado dos meios de comunicação; pela forte inassiduidade de alguns católicos; pelo imediatismo das pregações; pelo sincretismo litúrgico e pelo apelo moral que essas religiões têm numa sociedade cada vez mais decadente.

Papel da igreja na escravidão (concordei com o ateu)

Logo no início do debate, o representante da ATEA acusou as religiões por apoiarem os piores males da nossa história, como a escravidão. De fato, durante a história da humanidade muitos clérigos jesuítas distorceram o sentido de algumas mensagens da bíblia para justificar a escravidão.

Caso da professora que humilhou o aluno ateu ( concordei com o babalorixá)

Eu até concordo que a professora de geografia poderia fazer a oração dela no início de suas aulas, apesar dela não ser paga pra isso; porém, a partir do momento em que ela disse que “quem não tinha deus no coração não tem futuro” perdeu toda a sua legitimidade. Ela acabou mostrando que nem ela respeitava o significado da oração que recitava, logo, não passava de um ato inútil.

Detalhe: a Globo preferiu abordar o excesso de uma fanática evangélica, MAS a realidade é que existem muitos professores marxistas em escolas e universidades que fazem coisas muito piores com os alunos religiosos.

Ateísmo e genocídio (concordei em parte com o Malafaia)

Depois que o ateu disse que a religião tinha motivado vários males, Malafaia rebateu dizendo que nenhum páis do mundo matou mais gente que os países comunistas/ateístas que perseguiam as religiões. Ainda assim, o que matou não foi o ateísmo, mas sim o comunismo. Nem todo ateu é contra o proselitismo religioso. A fala do religioso foi positiva porque evidenciou que o genocídio não é exclusividade de religiosos.

Caso do crucifixo nos tribunais (concordei com o Malafaia e com o padre)

Apesar do protestantismo não venerar símbolos, Malafaia, ao meu ver, foi nobre e coerente quando disse que o crucifixo colocado nos tribunais não fere a laicidade do Estado, uma vez que sua colocação se deve em virtude de fatores culturais. Aliás, nosso país foi fundado com uma cruz. Seria uma desonestidade apagar da nossa história os traços culturais do povo que fundou a nossa nação. Se fosse para tirar todos os nossos símbolos religiosos, teríamos que implodir o Cristo Redentor. Além disso, a figura de Cristo nos tribunais é uma lembrança aos juízes de alguém que, inocente, pagou pelos erros da justiça humana.

Passeata sobre a tolerância religiosa (DISCORDEI COMPLETAMENTE DO babalorixá)

Os camdomblecistas sofrem preconceito. Fato. Principalmente por parte de pentecostais. Fato. Sendo assim, o líder religioso ficou fazendo várias indiretas aos evangélicos e depois convidou o Malafaia a participar da Caminhada a favor da Tolerância religiosa. O argumento que ele deu foi que todas as religiões fazem parte da caminhada, menos os crentes, logo, eles é que são os intolerantes. Bem, como todos sabemos, os evangélicos não costumam participar desses eventos devido ao repúdio que tem ao ecumenismo. O Malafaia fez muito bem em dizer que não iria nesse espetáculo de exibicionismo hipócrita organizado por grupos políticos escusos.

Estado laico (concordei com o padre)

A concepção de Estado Laico que eu defendo é a que foi mais defendida pelo padre. O Estado laico seria aquele que não tem religião ofical e que protegem a liberdade de culto de todas as religiões, sem que patrocine ou advogue a uma religião específica. O padre ainda apontou que existem símbolos religiosos em quase todo o lugar e ninguém fala nada, como por exemplo a figura de uma deusa grega Artêmis nas notas de reais. Em outras palavras, os símbolos só causam furor porque são cristãos.

Dinheiro na nota de real

Sinceramente, acho inútil a menção “Deus seja louvado” nas notas. Não creio que ela simboliza nada, até porque foi colocada pelo Sarney em 1985. Ainda assim, não acho que fere a laicidade do Estado porque ela não promove uma religião específica.

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8 comentários

  1. só não concordei com você na parte do comunismo. Os comunistas da URSS e da china de Mao ERAM ateus. Carl Marx era um ateu convicto, e ele acreditava que a religião era o maior mal da humanidade, e que a religião( em especial, o cristianismo) deveriam ser destruídos para criar uma Sociedade sem Classes. Não apenas Marx, Voltaire também acreditava que se a religião fosse destruída, uma nova era de paz iria vir para a humanidade. Um simplorísmo, é claro, pois as guerras e a violência tem muitos outros fatores, e não apenas a religião. Os marxistas de hoje não são necessariamente ateus, mas naquela época sim.

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    • Só para reforçar, o comunismo surgiu como uma ideologia ateísta. Não é possível dissociar as duas coisas. Todos os regimes comunistas perseguiram/perseguem religiosos exatamente por serem ateístas, não há outro motivo. Apesar de ser comum, comunistas hoje em dia que também são religiosos me parece algo totalmente contraditório, fruto da ignorância. Não é a toa que a doutrina da igreja católica proíbe de forma explícita que seus fiéis votem em candidatos comunistas.

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      • Caro Marcos,

        Sim, o comunismo é um filho do ateísmo. Ninguém discorda disso. Quando a liberdade é cerceada, tiranos começam perseguindo a religião. No entanto, nem todo ateu é comunista. Há muitos ateus que são favoráveis ao proselitismo. Não podemos nem generalizar nem praticar a ignorância. Da mesma forma que o há radicalismo em crentes há radicalismo em descrentes. O que devemos combater é os excessos.

        Obrigado pelo comentário. Volte sempre.

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  2. Estava vendo uma entrevista de um pastor no programa do ratinho no mesmo dia.
    kkkkkkkkkk foi hilario o pastor falando de sexualidade depois procura na net.

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    • Sim, tens razão. Os excessos é que são problemáticos. O problema é que o crimes cometidos em nome do ateísmo são infinitamente maiores que os cometidos em nome da religião. A história mostra isso, mas a ATEA ignora completamente e incita as pessoas a acreditarem que este é um problema da religião em si, e não de pessoas desonestas e criminosas que usurparam da religião que representavam.

      Parabéns pelo blog!

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  3. Concordo com a maior parte do que foi escrito. Só fico chateado que na maioria dos debates que envolvem religião chamam o Silas Malafaia. Frequentemente ele denigre a causa que defende com uma postura agressiva e descontrolada, muito diferente deste padre, que só engrandeceu o debate. Com relação ao ateu, não há muito o que dizer. Infelizmente a ATEA não tenta difundir as ideias de quem não acredita em Deus ou nas religiões, mas prega antes de tudo o ódio à religião, como se esta fosse a causa de todos os males da humanidade, sem olhar para o próprio umbigo, para a história da causa que defende. Querer detonar a religião utilizando como argumento a laicidade do estado e os crimes cometidos pela igreja ao longo da história me parece uma mistura de ignorância e desonestidade.

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    • Você atentou para uma coisa já martelo a muito tempo: a mídia sempre chama o Malafaia para defender as causas da família e da defesa da vida. Fazendo assim, eles esteriotipam todos os que defendem o que ele defende como fanáticos e radicais. É uma tática desonesta. Ainda assim, pelo menos ele dá a cara a tapa para confrontar algumas coisas que ninguém confronta. Porém, como você disse, a retórica dele é péssima e prejudicial às próprias causas que defende.

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