O feto faz parte do corpo da mulher?


Feto e a mulher

Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe, é falso, porque não é parte: está “alojado” nela, melhor, implantado nela (nela e não meramente no seu corpo). É o que afirma José Manuel Moreira, professor universitário e membro da Mont Pélérin Society, em artigo publicado no Diário Econômico dias passados.

Coisa e pessoa

 

Segundo o colunista, há diversas formas de entrar no debate sobre a despenalização do aborto. Ele afirma preferir adentrar pela visão antropológica, fundada na mera realidade do homem tal como se vê, vive e se compreende a si mesmo. Trata-se da distinção decisiva entre “coisa” e “pessoa”, que se revela no uso da língua.

Alojamento

Em todas as línguas há uma distinção essencial: entre “que” e “quem”, “algo” e “alguém”, “nada” e “ninguém”», afirma. Se entro numa casa onde não há nenhuma pessoa, direi: “não há ninguém”, mas não me ocorrerá dizer: “não há nada”, porque pode estar cheia de móveis, livros, lustres, quadros. O que tem isto a ver com o aborto? Muito. Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe, é falso, porque não é parte: está “alojado” nela, melhor, implantado nela (nela e não meramente no seu corpo).

Hipocrisia

 

Uma mulher dirá: “estou grávida”, nunca “o meu corpo está grávido”. Uma mulher diz: “vou ter um filho”; não diz: “tenho um tumor”. Para o professor Moreira , a pergunta a referendar, ao usar, em vez de aborto provocado, “interrupção voluntária da gravidez”, não só abusa da hipocrisia como se esconde sob a capa de despenalização.

Pena de morte

 

Os abortista não gostam da comparação, mas com isto os partidários da pena de morte vêem as dificuldades resolvidas. Podem passar a chamar à tal pena – por forca ou garrote – “interrupção da respiração” (e também são só uns minutos). Há ainda as 10 semanas, como se para a criança fizesse diferença em que lugar do caminho se encontra ou a que distância, em semanas ou meses, da sua etapa da vida que se chama nascimento será surpreendida pela morte», escreve.

Coisificação

Segundo o professor, o mais estranho veem o aborto como progresso, enquanto a pena de morte é atraso. Dantes denunciavam a “mulher objeto”, agora querem legitimar a criança-objeto, a criança-tumor, que se pode extirpar, em nome do “direito de dispor do próprio corpo”. O direito (com bons propósitos) serve para nos impedir de entender “o que é aborto”. Por isso se mascara a sua realidade com fins convenientes ou pelo menos aceitáveis: o controle populacional, o bem-estar dos pais, a situação da mãe solteira, as dificuldades econômicas, a conveniência de dispor de tempo livre, a melhoria da raça, afirma.

Fonte: Zenit

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