Obs: Quando me refiro às cotas para universidades, sou até favorável às cotas para estudantes de baixa renda, o que sou contrário é o uso dos critérios raciais nas cotas. Já no serviço público, sou completamente contrária a qualquer tipo de cota. Explico abaixo.

10 motivos para ser contra cotas raciais no serviço público e no mercado de trabalho

1-Cotas de racismo

Atualmente, a seleção para o serviço público tem um defeito: avalia o intelecto do candidato, mas não sua eficiência. O correto para mitigar esse erro seria selecionar alguns candidatos por concurso e aprovar os mais eficientes depois de um período de estágio. Hoje, mal avaliamos a eficiência e ainda querem que escolham o candidato usando critérios raciais?

Levando em consideração que somos todos da raça humana, não há sentido no Estado usar o critério racial, uma vez que a ciência já refutou essa concepção. Escolher alguém para um emprego por causa da cor de sua pele é tão ridículo quanto escolher por causa de sua religião ou por causa do time que torce.

2-Mérito

Vejamos a minha universidade, a UERJ  (a primeira a implementar as cotas). A disputa entre os cotistas é de 1,11 por vaga e entre os não cotistas é de 11 por vaga. Além disso, metade das vagas destinadas aos cotistas não é preenchida PORQUE ELES NÃO CONSEGUEM ATINGIR A NOTA MÍNIMA, QUE É 2!

Sendo assim, para conseguir passar no vestibular o único mérito que um aluno precisa ter é ser cotista e ter nota mínima. Logo, podemos ver que as cotas são injustas, pois um candidato, apenas por não cumprir um certo requisito, é obrigado a possuir uma nota muito maior do que deveria para passar para o mesmo lugar que um estudante que tirou a nota mínima.

3-Seleção

Para a seleção no serviço público, o que importa é o potencial do profissional. Felizmente, sabemos que nem a genotipagem nem o fenótipo do candidato influi no seu potencial. Não é porque alguém tem menos ou mais melanina na pele que precisa de uma “ajudinha” para fazer algo que outra pessoa é capaz de fazer.

4- Diversidade

O argumento mais usado pelos defensores das cotas é que faltam negros no serviço público, ou seja, eles estariam subrepresentados. Bem, a finalidade do serviço público não é representar fidedignamente a composição étnica do país, mas atuar com legalidade, publicidade, moralidade e eficiência. Pouco importa se faltam brancos, negros ou amarelos numa equipe. O que realmente importa é que estejam cumprindo bem as suas funções. Uma equipe não é melhor que outra porque é “mais diversa”. O que faz com que uma equipe seja melhor são os resultados que ela produz.

5- Melhores

Cotas geralmente fazem com pessoas com resultados inferiores sejam escolhidas, apesar do resultado superior de outros. Muitos candidatos serão aprovados apenas por causa das cotas, enquanto que outros só serão reprovados por causa delas. Portanto, o cotismo dispensa candidatos melhores em favor de piores. No final das contas, não dá para se surpreender se toda a coletividade apresentar um resultado inferior, pois o mérito está sendo negligenciado.

6- Produção

Imaginemos uma empresa que tenha que prover uma vaga de especialista. Depois de avaliar candidatos A e B, a empresa é obrigada a escolher o candidato B apenas porque a cota de candidatos da raça do candidato A já foi batida. Se a empresa ganha através do lucro produzido por seus funcionários, contratar um candidato um pouco pior significa contratar um candidato menos eficiente. Ser menos eficiente significa que a empresa irá produzir menos, e com isso pagará menos imposto, assim prejudicando todo o país.

7- Miscigenação

Devemos ser o país mais miscigenado do mundo. Não deve haver um só brasileiro que não carregue sangue europeu, africano e indígena misturado nas suas veias. Então como identificar se alguém é ou não de uma “raça”? Pela cor da pele? Mas e quem é branco e possui traços africanos? Então por autodeclaração? ORA BOLAS! Quem, em sã consciência, não alegaria ser negro para ter mais chance de passar para o nosso confortável serviço público. Logo, além de injusta, essa cota seria ineficiente.

8- Responsabilidade

Imaginemos um cotista que passou para a faculdade. Ele tem pelo menos 4 anos para se esforçar e alcançar o nível dos demais, quase sempre conseguindo concluir seu curso num tempo um só um pouco maior. Agora imagine um cotista que passa para o serviço público. Ele terá que mostrar serviço desde o 1º dia de trabalho. É uma responsabilidade muito maior. Imagine um médico cotista que vai para o seu 1º dia no plantão de um hospital público.

9- Acirramento racial

Considerando que no Brasil a segregação é econômica e não racial, colocar cotas racias no mercado de trabalho pode produzir um fim detestável. Com o tempo, qualquer negro poderá ser visto como menos competente, pois as pessoas vão julgar que ele só alcançou sua posição em virtude das cotas (mesmo que isso não seja verdade). O rancor entre as pessoas pode ser elevado e ai sim surgir uma sociedade mais segregada do ponto de vista “racial”.

10- Temporariedade e cultura

Em 2003 a ALERJ institui as cotas. Em 2008 eles as prorrogarão até 2018, e certamente as prorrogarão ad eternum. Motivo? Porque isso não passa de uma medida paleativa que é incapaz de diminuir o abismo entre brancos e negros, uma vez que o ensino público continua sendo péssimo. A única saída seria voucherizar a educação de base, criando-se assim uma condição do pobre estudar na mesma escola do rico. Enquanto isso não ocorrer, o descaso com a educação de base fará com que as cotas sejam incapazes de diminuir o abismo existente.

O problema principal é que uma vez criadas as cotas no mercado de trabalho, cria-se uma cultura em volta delas. Toda a empresa será julgada caso não seja diversa o suficiente; todos que se oporem a elas serão taxados como racistas e pessoas passarão a usar a cor da pele como troféu. É bom deixar claro que , diferente de uma universidade, o trabalho não é somente um lugar de cooperação, mas muitas vezes um ambiente competitivo, onde confiltos de matriz racial poderão ser mais recorrentes.

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