O triste fim do governador Sérgio Cabral


Defunto político

Cabral só tem 12% de avaliação positiva, sua companhia tornou-se um embaraço federal para seus parceiros na política. Resultado da conjugação de abuso de poder na prática de hábitos luxuosos, provincianismo político (demonstrado na excessiva confiança na influência de Lula sobre o Congresso quando da discussão sobre a distribuição dos royalties do petróleo) e arrogância assumida com a promessa de ser “mais humilde”.
Soberba

Reeleito em 2010 no 1º turno com votação espetacular, confundiu apoio popular com salvo-conduto para transgredir todas as regras. Sejam as de civilidade no convívio com os governados, sejam as balizas legais que exigem do governante respeito à transparência, à impessoalidade e à probidade. O governador achou que ninguém se incomodaria com o fato de destratar professores, médicos e bombeiros chamados de vândalos e bandidos no exercício de movimentos reivindicatórios; de passar boa parte do tempo viajando ao exterior, incluindo aí ocasiões em que o Rio foi atingido por tragédias às quais não dava a devida importância evitando aparecer em público em momentos adversos.

Silêncio

Considerou que, ao abandonar entrevistas no meio porque não gostava das perguntas, afrontava a imprensa – quando o gesto significava interdição do diálogo com a sociedade. Acreditou-se inimputável. Não teve noção de limite. Agora se diz arrependido por influência das palavras do papa. Ao que alguns chamam de senso de oportunidade outros dão o nome de oportunismo. Para não falar no egoísmo de pedir aos manifestantes que se retirem da porta de sua casa porque tem “filhos pequenos”, sem se importar com os filhos dos vizinhos.

Propaganda

Leio que Cabral já acionou a agência de propaganda que elabora as campanhas de seu governo para criar uma dose cavalar de publicidade mostrando os feitos (?) de sua administração. (…) Quero dar meu palpite. Governador, se ainda der tempo, o melhor é partir para outra. O povo não precisa de anúncios.  Não há propaganda, por mais bem feita que seja, que disfarce o indisfarçável. Em casos assim a população costuma rejeitar a publicidade, pois sabe que o dinheiro gasto em reconstrução de imagem, seria mais bem empregado em outras áreas.

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