EUVÍ: Luiz Carlos Prates, as igrejas e a violência


Comentário

Luiz Carlos Prates é dos poucos comentaristas brasileiros que traduzem a indignação do povo com a violência e a corrupção. O excelente jornalista já sofreu represálias devido as suas opiniões firmes e pautadas na razão.

Igrejas

No entanto, um ponto do discurso de Prates que é questionável é a sua visão das igrejas. Prates, com razão, não se cansa de falar que na prisão não tem ateu e todo mundo lá acredita em deus. Eu acho que ele nunca foi lá perguntar pros presos, mas vamos crer no que ele diz.

Algo incontestável é que o nível de religiosidade de muitos – não de todos – não se traduz na ética e na caridade.

Logo, Prates critica a noção de que religião tenha um relação positiva para com o crime, uma vez que o Brasil é um país religioso e com altos índices de criminalidade.

Nesse ponto ele tem razão. Se o Brasil tem altos índices de criminalidade e alto nível de religiosidade, é porque a religião não estaria cumprindo o papel dela. Mas será?

Ao se utilizar desse argumento, Prates corre o risco de ser preconceituoso. Os fatos não dizem que a religião dos brasileiros causa criminalidade, mas exatamente o contrário. Prova disso é que nas comunidades carentes não são aqueles que acordam cedo no domingo para ir para a igreja os que são os causadores da criminalidade.

Além do mais, deveríamos agradecer a deus pela quantidade e diversidade de igrejas, pois seus serviços prestados gratuitamente dos presídios são muitas vezes a única coisa capaz de ressocializar um marginal no depreciado sistema prisional brasileiro.

Colocar a culpa nas igrejas pela criminalidade é colocar a culpa em quem não é o culpado, mas a solução. O crime acontece a despeito do que as igrejas pregam. Logo, as igrejas não podem ser culpadas pelo que as pessoas (que muitas vezes nem as frequentam) fazem quando as desobedecem.

Pessoas que cometem crimes raramente os fazem por causa de seus credos, mas apesar destes. A questão da criminalidade num país desigual como o Brasil é muito mais complexa do que a religiosidade do povo.

Constatação

Ainda estou esperando um método eficiente de ressociabilizar um detento com irreligiosidade e homeopatia.

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7 comentários

  1. Olá amigo! Vc está equivocado. Acompanho o Prates a mais de 15 anos e nunca ouvi ele dizer que a criminosidade é consequência da religiosidade do nosso país.
    .
    “Se o Brasil tem altos índices de criminalidade e alto nível de religiosidade, é porque a religião não estaria cumprindo o papel dela.”

    Geralmente quando ele comenta o fato de que não existem ateus na cadeia é pra contentar os religiosos boçais que culpam os ateus pela violência. Abcs!

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    • Olhando por esse ponto de vista você tem toda a razão. A religiosidade (ou a irreligiosidade) não define caráter. No entanto, creio que o trabalho de algumas religiões e regiões carentes de fato impede que algumas pessoas ingressem no crime.

      Abraços.

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  2. Algumas religiões fazem muito pelo social,mas a maioria se aproveita de não pagar impostos para ficarem ricas a,ICAR inclusive,fora o desserviço por espalhar o preconceito baseado na bíblia!

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  3. A Suécia o país mais ateu do mundo com 85%. Fechou 4 presídios e uma casa de detenção o ano passado por falta de presos.

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  4. Todos os países que estão fechando igrejas também estão fechado presídios, A Holanda fechou 19 presídios de 2009 para cá por falta de presos e também fecha uma média de 4 igrejas por semana por falta de fiéis.

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