EUVÍ: Marcelo Freixo, um homem a serviço de sua ideologia em relação ao aborto


Antes de qualquer coisa, apoiei e torci para Marcelo Freixo na eleição de 2012 para prefeito do Rio de Janeiro, porém, apesar de gostar de alguém, não sou obrigado a concordar com tudo que essa pessoa pensa ou a não expor suas idiossincrasias aos outros.

Se você colocar no google o nome do deputado e a bendita palavra aborto, você verá que essa combinação pode te levar a um texto maravilhoso que exprime toda uma ideologia.

http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro0711.nsf/e00a7c3c8652b69a83256cca00646ee5/92fb936b290baf39832572ae003821f5?OpenDocument

PROJETO DE LEI146/2007

EMENTA:

REVOGA A LEI N.° 3847, DE 24 DE MAIO DE 2002, QUE INSTITUI O DIA 25 DE MARÇO COMO O DIA DO NASCITURO.

Autor(es): DeputadoMARCELO FREIXO

Art. 1.° – Fica revogada a lei n.° 3847, de 24 de maio de 2002.

Art. 2.° – Esta lei entrará em vigor, na data da sua publicação.

Bem, esse projeto de lei de Marcelo Freixo vem a revogar o dia do nascituro(feto), o deputado, no exercício de sua inteligência resolve que iria usar o seu precioso tempo de deputado para defender mais uma das causas que defende.

Vejamos a justificativa de Freixo:

As motivações que trazem à tona projetos que estabelecem o dia do nascituro estão ligadas a uma convicção religiosa de que o feto já é um ser humano, e de que, portanto, a sua vida deve ser respeitada e valorizada como a de qualquer outro ser humano já nascido. A lei que prega o dia do nascituro tem sido, na verdade, um debate escamoteado sobre o aborto. É praticamente, a instituição de “um dia contra o aborto“.
A complexidade e a diversidade de opiniões que existem em torno do momento do desenvolvimento do embrião em que este se transforma num ser humano – hominização- é mais um elemento que reitera a necessidade de que esse debate seja feito com base no papel do Estado e nos direitos de cidadania para as mulheres. Considerando o caráter laico atribuído ao Estado Brasileiro, não há nenhuma justifica plausível à criação de um dia do nascituro.
As preocupações daqueles que ocupam cargos públicos deve ser com a saúde pública, com a saúde da mulher, com o direito de opção. Deve-se respeito total à visão de segmentos da Igreja e seus princípios, mas, como autoridades públicas, as preocupações dos poderes legislativos e executivos devem ser com a saúde da população, e não com convicções morais e religiosas.
O Brasil não pode seguir cultuando uma cultura de crueldade para com as mulheres que precisam e decidem abortar e que, diante da criminalização, recorrem a práticas inseguras que colocam em risco suas próprias vidas. É dever do Estado Brasileiro em geral, e do Estado do Rio de Janeiro em particular, apoiar as mulheres em suas decisões reprodutivas. Em respeito à democracia participativa, os governos deveriam acolher a diretriz aprovada na Conferência Nacional de Políticas para Mulheres: descriminalizar e legalizar o aborto.
Revogar o dia do nascituro é, portanto, um primeiro passo para esse debate ser encarado como deve ser: como uma contraposição de idéias no campo democrático sobre a prática do aborto, e não sobre as – não comprovadas – convicções que versam sobre o momento de hominização dos fetos.

Voltei, hehe, vamos discutir ponto a ponto, mas antes já reitero o meu respeito por aqueles que pensam diferente de mim e invoco o meu direito de me expressar em relação ao texto acima.

1- Por onde começar?

“o dia do nascituro estão ligadas a uma convicção religiosa”

O direito de viver em nada está relacionado com uma religião ou uma convicção religiosa específica. O direito de viver está relacionado ao amor e à compaixão a vida alheia, que não é exclusividade de nenhuma religião. Por acaso temos religiões em nossa sociedade que possuem em seus princípios valores que propagam em seus fiéis o dever de lutar pela vida alheia. Tentar encurralar a questão do aborto em fronteiras religiosas é o que se pode achar de mais rasteiro e divisivo que um político pode fazer.

2- o feto já é um ser humano

O Sr. Freixo nesse momento se lança a frente da ciência, que ainda não decidiu cabalmente onde a vida se inicia, e dá uma de deus para definir que a vida só começa depois do nascimento. Eu quero ver se alguém agredisse uma grávida e acabasse causando a morte do bebê na frente do deputado Freixo, talvez ele achasse embuído de suas convicções morais que a morte do bebê era um acontecimento menor porque o feto não é um ser humano. Na minha opinião, um ser que não se compadece do outro é que não pode ser chamado de ser humano.

3- a sua vida deve ser respeitada e valorizada como a de qualquer outro ser humano já nascido

Concordo que a vida de um feto pode até não ser comparada com a de um humano já formado, mas posso observar no texto do ilustríssimo deputado que ele acha que a vida de um feto não merece ser respeitada como a de um ser humano adulto. O respeito é algo primordial que um ser humano deve aprender o quanto antes na vida. Sabe aonde também que não respeitavam a vida dos fetos? NA ALEMANHA NAZISTA. Era comum os soldados nazistas pegarem bebês recém-nascidos e arremessarem eles contra as árvores.

4- um debate escamoteado sobre o aborto

Não existe problemas em haver um debate escamoteado sobre o aborto, existe problema em haver aborto. O debate sobre o tema acontece pontualmente e 82% da população brasileira é contra o aborto. Os contrários ao aborto são maioria em todos os estados do país, em todos eles. Como o deputado deve saber, nós vivemos numa democracia e a população tem o direito de decidir como deve viver e quais leis devem ser regidas no nosso território.

5- a instituição de “um dia contra o aborto

SIM! Um dia contra o aborto é pouco. Deveriam ser 365 dias contra o aborto. Ao invés de ficar nessa discussão idiota de a favor e contra, os políticos deviam trabalhar em medidas que prevenissem os abortos, como um sistema eficiente de planejamento familiar, a educação sexual para os jovens, a distribuição de preservativos, a distribuição de pílulas do dia seguinte, esterilizações e etc. Ficar discutindo o tema é pura demagogia para aqueles que podem agir para coibí-lo.

6- caráter laico

No que um dia contra o aborto feriria o caráter laico do estado? Aborto não é um tema específico de nenhuma religião, muito menos divindade de algum culto. O Estado laico deve preservar a vida de todos, independente de suas religiões. Além do mais, um Estado laico não pode ignorar a opinião de alguém só porque a pessoa tem ou não tem religião. A opinião do religioso pesa tanto quanto a do irreligioso, o Estado laico não cria a figura de um cidadão que é melhor que o outro só porque tem ou não tem religião. Estado laico não é Estado laicista, que trabalha para que todos sejam desligados da religião.

7- nenhuma justifica plausível à criação de um dia do nascituro

Dentre as muitas justificativas plausíveis para um dia do nascituro, poderíamos citar a  negação da coisificação da vida humana, que é defendida por tantos que parecem dar muito valor às suas próprias vidas, mas parecem dar pouco valor a vida dos outros.

8- saúde pública

Saúde pública não é expremer e esmagar crânios de fetos indefesos. O aborto causa MALES A VIDA DA MULHER, não só físicos como psicológicos.

9- saúde da mulher

Metade dos fetos abortados são do sexo feminino. E a saúde desses fetos? Não contam né?

10-direito de opção

O direito de opção é um dos muitos direitos que os favoráveis ao aborto querem negar aos fetos. O maior direito que eles querem negar é o direito a vida.

11-Igreja e seus princípios

Sinceramente, pouco importa o que prega a igreja e seus princípios, o que importa é a vida das pessoas. Se a igreja quiser ser favorável ou contrária a implementação de determinada atividade, isso é um problema da igreja e não competa a mim, tampouco ao Estado, que é laico.

12-convicções morais

Quem diria que um candidato que se pintaria como o guardião da ética um dia questionasse as convicções morais da população. O Brasil não é ruim porque causa das convicções morais, o Brasil é ruim por causa das poucas convicções morais que alguns guardam dentro de si. Quem dera os nossos políticos tivessem mais convicções morais.

13-cultuando uma cultura de crueldade para com as mulheres

Agora é a cultura brasileira que cultua a crueldade contra as mulheres né? Crueldade é esmagar o crânio de um feto indefeso de forma covarde. Aposto com aqueles que acham que o aborto não é cruel odiariam ser alvo de um.

14-Conferência Nacional de Políticas para Mulheres: descriminalizar e legalizar o aborto

Sinceramente, eu quero que a Conferência do blá blá blá simplesmente pare de querer impor a sua vontade para toda uma população que claramente não concorda com ela. O Brasil é uma democracia e 82% da população rejeita o aborto, se o Brasil fosse uma ditadura seria mais fácil impor o que a Conferência acha a despeito da opinião das pessoas. O brasileiro é sensato o suficiente para escolher o que é melhor para si(mesmo que cometa erros). Uma conferência não retira do nosso povo a soberania.

15-hominização dos fetos

Caramba, essa é a mais engraçada, hominização dos fetos. É como se ele quisesse dizer que as pessoas que defendem a vida e que são contra o extermínio dos fetos, estivessem tratando os fetos como pequenos homenzinhos. Francamente, são aqueles que tratam a vida dos outros como lixo que não deve ser respeitado é que são os verdadeiros homenzinhos.

Um comentário

  1. […] Fetofobia Infelizmente, há uma epidemia ideológica (fetofobia), em todos os países na busca de justificativas para descriminalizar esta prática, com os mais subjetivos argumentos. No fundo o que se busca é o pansexualismo, os chamados direitos sexuais, o sexo fácil, ideologias do gênero, promovidos por órgãos da ONU, formando uma mentalidade distorcida, oferecendo condições de se viver uma vida sem regras éticas. Para tal feito, a esquerda e a mídia tem tido sucesso em conseguir tratar os fetos como coisas, indignos de vida ou direitos, descartáveis, não-humanos. Alguns políticos, como o deputado Marcelo Freixo, chegam a usar o termo hominização dos fetos para…. […]

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