EUVÍ: Eleições na cidade do Rio de Janeiro 2004, 2008 e 2012 por bairro


As eleições no Rio de Janeiro sempre são marcadas por uma disparidade entre a Zona Sul e a Zonas Norte e Oeste. O eleitorado da Zona Sul possui maior renda, maior escolaridade e é por natureza menos religioso do que o eleitorado das outras zonas da cidade. Como a população da Zona Oeste e Norte é muito mais numerosa do que a população da Zona Sul.

A zona norte concentra a maioria dos católicos da cidade que são praticantes, a maioria dos católicos não praticantes se encontra na Zona Sul.

O mais interessante é que geralmente a região que decide o vencedor da eleição é a Zona Oeste, que possui uma maior proporção de evangélicos e de pessoas com pouca escolaridade.

Vamos analisar as eleições na cidade. O Rio de Janeiro ainda possui uma divisão racial, os bairros da Zona Sul tendem a ter uma maior população branca.

Abaixo as maiores comunidades do Rio de Janeiro, nessas comunidades, existem mais evangélicos e negros proporcionalmente do que no resto da cidade.

2002

Em 2002, Lula venceu na cidade do Rio de Janeiro possuindo uma grande votação na católica Zona Norte e vencendo o voto da elite da Zona Sul(destaque para Laranjeiras). Garotinho, que era evangélico, conseguiu uma grande votação na Zona Oeste.

2004

Em 2004, César Maia foi eleito no primeiro turno, tendo uma votação homogênea em todas as áreas da cidade. Mesmo disputando a eleição contra Crivella, ganhou em vários bairros da zona Oeste. Maia conseguiu  conquistar bastantes votos de opinião da zona Sul e teve um desempenho pior em alguns bairros da zona norte.

Como podemos ver acima, o bispo evangélico Crivella teve uma votação expressiva na zona Oeste e em partes da zona Norte, na pouca religiosa Zona Sul Crivella não teve uma votação proporcional às outras regiões da cidade.

Jandhira Feghali do PC do B teve uma votação concentrada na Zona Sul, demonstrando mais uma vez que existe um elitorado esquerdista e liberal na região que tende a escolher candidatos mais ideológicos e menos populistas.

2006


Em 2006, Lula devido ao escândalo do mensalão perdeu o eleitorado escolarizado da Zona Sul, mas como dessa vez não havia um candidato populista ou evangélico contra ele, não houve problema em ganhar votos na Zona Oeste.

2008

A eleição de 2008 se deu entre  o bispo evangélico Crivella, o moderno Fernando Gabeira e o popular Eduardo Paes. Eduardo Paes e Gabeira foram para o segundo turno dividindo a cidade ao meio.

Gabeira conquistou o voto do eleitorado escolarizado, jovem, branco, secular e rico da Zona Sul. Eduardo conquistou o eleitorado religioso, pobre, de baixa escolaridade, adulto e pardo da Zona Oeste. Na Zona Norte, o eleitorado mais conservador que o da Zona Sul deu a eleição para Eduardo Paes.

Destaque especial para a votação de Gabeira na Zona Sul, expecialmente em Laranjeiras, Botafogo, Copacabana, Humaitá, Recreio e na Barra da Tijuca,

2010

Em 2008, os três candidatos tiveram votações equilibradas, Dilma conquistou o voto dos pobres, Serra conquistou o voto dos ricos, a evangélica Marina Silva conquistou muitos votos nas regiões pobres e nas regiões ricas e foi o destaque da eleição.

2012
Em 2012, a eleição se dividiu mais uma vez entre os mais diferentes eleitorados. Rodrigo Maia do DEM tentou conquistar o eleitorado da Zona Sul e o eleitorado da Zona Oeste falhando miseravelmente nas duas tentativas. Aspazia do PV tentou replicar a votação de Gabeira na Zona Sul em 2008, mas a Onda Verda não surgiu dessa vez. Otavio Leite do PSDB tentou conquistar o voto tucano da Zona Sul de 2010, tendo sido mal sucedido.

Dessa vez o eleitorado escolarizado, que tem opinião crítica, renda superior, pouca idade e pouca religiosidade se concentrou na candidatura de Marcelo Freixo. Marcelo Freixo conseguiu vencer em vários segmentos, mas mesmo tendo uma votação maior do que a que Gabeira teve em 2008, a Primavera Carioca não conseguiu ganhar em quase nenhum bairro do Rio de Janeiro. Apenas Laranjeiras, que possui um eleitorado com perfil mais dissidente escolheu Marcelo Freixo por mais de 50%.

Freixo teve uma votação forte na Zona Sul, razoável na Zona Norte, mas falhou em avançar na Zona Oeste controlada pelas milícias que ele tanto combate. Sua campanha sem recursos não conseguiu se propagar fora da internet, logo, os idosos votaram massivamente em Eduardo Paes.

Como todos os candidatos de oposição em 2012 tinham um perfil menos popular, todos tiveram dificuldades em conquistar o voto religioso e evangélico da Zona Oeste. Como dessa vez Crivella não concorreu, Eduardo Paes com o apoio de vários pastores(inclusive Silas Malafaia) não teve dificuldade para manter os votos na região da cidade que sempre o concedeu grandes votações.

Freixo não fechou com os idosos, pobres e religiosos do Rio de Janeiro, mesmo que sua campanha tivesse recursos o suficiente, suas propostas teriam dificuldades de cooptar esse eleitorado mais conservador. Eduardo Paes, com uma campanha milionária e com uma aliança de 20 partidos conduziu uma campanha impecável, que soube bem explorar as qualidades de seu mandato e esconder seus poucos erros.

O Rio de Janeiro se analisado esses últimos 10 anos de eleição mostrou que a Zona mais importante para que um candidato se saia campeão, logo devido a demografia da cidade, um candidato populista tende a conquistar a eleição nessa região por uma margem tão grande fica difícil um candidato ideológico vencê-lo. Desde a saída de César Maia da prefeitura, o eleitorado da cidade fez uma guinada para centro, evitando brigas entre os governantes de nível municipal, estadual e nacional.

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