EUVÍ: Política e eleições de São Paulo 2012 (eu já vi isso antes)


Outro dia, meu celular tocou, olhei pro número e ví que era uma pessoa muito, muito chata que estava querendo falar comigo, como sou uma pessoa muito educada que jamais o trataria com grosseria fiz o que podia fazer de mais educado, não atendi.  Tudo que eu fizesse além disso seria passível de se arrepender.

Na vida existem várias decisões como esta, vi o visor do celular e tinha duas opções:

1-Atender a ligação

2-Rejeitar a ligação

Engraçado, apesar de haver a segunda opção, vivemos a vida inteira não levando em consideração que ela realmente existe. Se existe a opção, é porque algum dia ela deve ser usada.

Então hoje vou falar sobre as opções que os eleitores de São Paulo tiveram nas últimas eleições. Como verão, os personagens são sempre os mesmos.

Em 1985, a eleição para prefeito de São Paulo se deu entre o futuro presidente da república Fernando Henrique Cardoso do PMDB e o então ex-presidente Jânio Quadros do PTB.

Jânio Quadros era a personificação do conservadorismo paulista, com um discurso demagógico e autoritário começou atrás nas pesquisas, o liberal e moderninho Fernando Henrique contava com apoio de artistas e de uma máquina eleitoral poderosa.

Porém Fernando Henrique cometeu dois erros cabais que alimentaram Jânio, primeiro ele deu uma declaração dando a entender que não acreditava em Deus, depois tirou uma foto sentado na cadeira do prefeito da cidade pra uma revista, ato cometido pelo fato de Mário Covas, o atual prefeito na época o apoiar e um fotógrafo tirou a foto que agitaria aquela campanha.

Jânio (apoiado por Paulo Maluf do PDS) e seus redutos conservadores como o bairro de Vila Maria fizeram com que ele pudesse se aposentar da política vencendo uma eleição pra prefeito por menos de 2%.

Em 1986, Maluf do PDS pensou que contaria com o apoio de Jânio do PTB, mas o PTB preferiu lançar o empresário mega-rico Antônio Ermírio de Morais. Enquanto os conservadores brigavam entre si dividindo seus votos, Orestes Quércia do PMDB começou a crescer nas pesquisas, Eduardo Suplicy( esse mesmo, o pai do Supla) também concorreu pelo PT. Orestes Quércia venceu e se tornou governador.

Em 1988, nas eleições para prefeito, ainda não havia segundo turno(só haveria depois de 1989), Maluf perdeu uma eleição na qual começou na frente para Luiza Erundina do PT.

Em 1989, Mário Covas(antigo prefeito de São Paulo) do PSDB e Paulo Maluf do PDS concorreram à presidente da República, terminando em terceiro e quinto lugar respectivamente.

Em 1990, não havia segundo turno, na eleição de governador de 1990, Orestes Quércia apoiou Luiz Antonio Fleury. Nessa eleição já havia segundo turno, Paulo Maluf do PDS e Mário Covas do PSDB também concorreram. Maluf venceu no primeiro turno, mas no segundo turno o eleitorado de Covas tendeu a votar em Fleury e este se consagrou governador.

Em 1992, na eleição para prefeito, Paulo Maluf do PPB e Eduardo Suplicy do PT(esse mesmo, o ex da Marta Suplicy) foram ao segundo turno, também concorreu Walter Feldmann do PSDB e Aloysio do PMDB.

No meio dessa eleição Maluf foi pego numa entrevista em que teria proferido as palavras:”Estupra, mas não mata”.

Dessa vez, Maluf já estava acessorado pelo marqueteiro Duda Mendonça pela segunda vez e essa ajuda do marqueteiro fez com que ele avançasse sobre vários eleitorados que nunca votaram nele e assim ele foi eleito prefeito, tendo sido muito bem avaliado.

Em 1994, para governador, Mário Covas do PSDB  venceu Francisco Rossi do PDT no segundo turno e se consagrou governador. Também concorreu Francisco Rossi do PDT e José Serra do PSDB.

Em 1996, para prefeito, não havia segundo turno, e o bem avaliado Paulo Maluf apoiou Celso Pitta do PPB e este venceu no segundo turno com Luiza Erundina do PT. Também concorreu Francisco Rossi do PDT e José Serra do PSDB.

Nessa eleição, Maluf proferiu a frase que o mataria politicamente:”Votem no Pitta, e se Êle não for um bom prefÊito, nunca mais votÊ em mim”.

Em 1998, na eleição para governador, Maluf do PPB saiu na frente e Francisco Rossi do PSDB e Mário Covas do PSDB travaram uma batalha para decidir quem venceria no segundo turno. Também concorreu Marta Suplicy(essa mesma, a mamãe do Supla) e Orestes Quércia do PMDB.

Maluf começou melhor nas pesquisas, mas depois de um debate na Band, onde Covas associou Maluf às suas conexões com a ditadura e a partir desse debate, Mário Covas saiu na frente e venceu.

Em 2000, para prefeito, concorreu Paulo Maluf do PPB, Marta Suplicy do PT, Geraldo Alckmin do PSDB e Luiza Erundina do PSB. Marta saiu na frente e Maluf chegou ao segundo turno depois de um embate com Alckmin. No segundo turno, Marta venceu Maluf de forma convincente com o apoio de. Marta não foi muito bem avaliada.

Em 2001, Mário Covas, que sempre fumou bastante, morre em decorrência de uma doença na bexiga e seu vice Geraldo Alckmin se torna governador.

Em 2002, para governador, concorreu Geraldo Alckmim de PSDB, Paulo Maluf do PPB e José Genoíno do PT. Maluf começou liderando as pesquisas, mas depois de perder a primeira posição, ainda aparecia indo pro segundo turno, como já havia acontecido em várias outras eleições, teve um desempenho inferior no dia da eleição e Genoíno foi ao segundo turno. Alckimin venceu e continuou como governador.

Em 2004, concorreu José Serra do PSDB, Marta Suplicy do PT, Luiza Erundina do PSB e o sempre “amado” Paulo Maluf do PP. José Serra e Marta foram ao segundo turno e com o apoio de Maluf, Serra  venceu.

Em 2006, José Serra, então prefeito e ex-candidato a presidente em 2002, deixou o cargo de prefeito para concorrer ao cargo de governador, sendo que ele já havia assinado um documento em que afirmava que não sairia do cargo.

O atual governador Geraldo Alckmim por razões eleitorais não podia se reeleger(uma vez que ja havia terminado o segundo mandato de Mário Covas) e resolveu concorrer a presidente da república. Concorreu também Aloizio Mercadante do PT e Orestes Quércia do PMDB. Serra venceu no primeiro turno.

Em 2008, para prefeito, Kassab do DEM, que assumiu depois que Serra renunciou, resolveu se candidatar, assim como Marta Suplicy do PT, Geraldo Alckmim do PSDB e o já desgastado Paulo Maluf do PP. Marta Suplicy sai na frente nas pesquisas, seguida por Alckmim e Kassab em terceiro.

Com o apoio de uma ala do PSDB de Serra(e do marqueteiro dele também), Kassab ultrapassa Alckmim e vai ao segundo turno, vencendo Marta Suplicy, que em determinado momento da campanha fez um anúncio duvidando da sexualidade de Kassab(sendo que ela sempre se disse defensora dos gays).

Em 2010, concorreram Geraldo Alckimim do PSDB, Aloizio Mercadante do PT, Celso Russomano do PP(candidato de Maluf), Russomano começou bem, mas se comprovou um verdadeiro cavalo paraguaio, seu eleitorado foi para Alckmim, que venceu no primeiro turno.

Em 2012, a maioria do eleitorado já se mostrava cansado com a dicotomia entre PT e PSDB, os partidos preferiram optar por colocar candidatos mais novos, com exceção do PSDB, que optou por colocar Serra, que pretendia concorrer a presidente em 2014 e mudou de idéia.

O PT resolveu escolher o ministro da educação Fernando Haddad, depois de muita disputa e só depois que Lula o escolheu a dedo, uma vez que Marta estava melhor nas pesquisas.

Haddad, que administrou um ENEM não muito bem sucedido e o autor do kit gay que deveria ser distribuído nas escolas. Celso Russomano saiu do PP de Maluf para ingressar no PRB(partido ligado à igreja universal do reino de deus).

No início da campanha, Maluf anuncia apoio a Haddad do PT, partido que sempre o atacou durante toda a sua carreira política. Maluf profere a frase da eleição:”Não existem mais ideologias, apenas minutos na TV”. Graças a esse apoio, Luiza Erundina sai da campanha de Haddad.

Como pudemos ver em São Paulo, existe um eleitorado conservador muito forte, que distoa da realidade de uma cidade jovem, rica e liberal. Esse eleitorado de classe média que mora nos arredores do centro expandido de São Paulo sempre concedeu altas votações a candidatos que apelassem a um discurso de ordem e moral como Paulo Maluf e principalmente Jânio Quadros, que certamente proferiu após discordar dos institutos de pesquisa que o apontavam em segundo lugar numa eleição que posteriormente venceu:”Eu sou imbatível na cidade de São Paulo”.

Essa invencibilidade não durou muito, o PT se posicionou claramente como o vetor liberal e populista da cidade, tendo em função da ascenção de Paulo Maluf, disputado com este as eleições na cidade de São Paulo durante anos.

Com o fracasso do governo Pitta, o malufismo perde relevancia e os tucanos do PSDB buscam ocupar  este espaço. No entanto, com o surgimento de um candidato como Celso Russomano, altamente reconhecido pela população em função de suas aparições diárias em programas de tv, somado ao fato de sua baixa rejeição e do desgaste político petista e tucano na cidade, faz com que esse eleitorado conservador que já foi de Jânio e Maluf deixe de ser orfão e migre para sua campanha.

Serra possui uma alta rejeição em razão de sua quebra de compromisso com a cidade no passado e com a alta rejeição do prefeito Kassab, que o apoia, faz com que sua candidatura fique sem condições de ser competitiva no primeiro turno.

Com o tema religioso entrando na pauta da sucessão paulista pela primeira vez e vendo a notória ligação entre o PRB de Russomano e a igreja universal do reino de deus de Edir Macedo, a exploração dessa idiossincrasia pode fazer com que Russomano perca votos entre os mais liberais e seculares, que geralmente apoiam o PT e que sentiram dificuldade em votar em Russomano.

Nós do blog, acreditamos que em função de problemas como o mensalão, o PT não chegue ao segundo turno pela primeira vez em anos, acreditamos que o PT escolha apoiar Russomano, acreditamos que a candidatura de Serra apesar disso irá avançar nas pesquisas num segundo turno, mas acreditamos que Russomano vencerá a eleição.

Previsão do Blog:PRIMEIRO TURNO: Russomano 40%;Serra 25%;Haddad 25%;outros10%.

SEGUNDO TURNO: Russomano 55%; Serra 45%.

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